Igreja Católica atrairá anglicanos no Brasil

Seguindo ordem do Vaticano, padres casados serão aceitos, diz cardeal-arcebispo de SP

José Maria Mayrink, O Estadao de S.Paulo

26 de novembro de 2009 | 00h00

O cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, declarou ontem, em entrevista coletiva, que a Santa Sé pode criar no Brasil um ordinariato pessoal para os anglicanos convertidos ao catolicismo. A iniciativa seguiria as normas da constituição apostólica Anglicanorum Coetibus (às comunidades anglicanas), aprovada pelo papa Bento XVI no dia 4.

O ordinariato pessoal é uma espécie de prelazia de personalidade jurídica semelhante à de uma diocese. Se isso ocorrer, São Paulo poderá cumprir as determinações do Vaticano para acolher os fiéis de tradição anglicana que se unirem à Igreja Católica.

Além de padres casados, seriam aceitos nos seminários católicos os candidatos ao sacerdócio de origem anglicana que poderiam casar-se.

"Essa admissão não seria automática, mas teria de ser aprovada por um Conselho de Governo (formado por membros do ordinariato pessoal e referendado pela Santa Sé), observou d. Odilo. Ao optar pela união plena com Roma, os ex-anglicanos devem professar a fé ensinada pelo Catecismo da Igreja Católica, publicado pelo papa João Paulo II em outubro de 1992.

Os ex-anglicanos convertidos se sujeitam à autoridade do papa e à doutrina católica, embora conservem as tradições anglicanas.

D. Odilo acredita que os reflexos da constituição apostólica Anglicanorum Coetibus não deverão ser imediatos no Brasil, porque a comunidade anglicana não é muito numerosa - cerca de 30 mil fiéis.

"A publicação desse documento foi, no entanto, um passo importante no ecumenismo dado pela Igreja Católica para aproximação com outras igrejas", afirmou o cardeal. Segundo ele, a Igreja de Comunhão Anglicana presente no Brasil é ligada ao arcebispo primaz de Cantuária, que tem bom diálogo com o Vaticano.

VISITA

Recém-chegado de Roma, onde participou da visita ad limina Apostolorum (à casa dos apóstolos Pedro e Paulo), que os bispos são obrigados fazer a cada cinco anos para prestar contas da administração de suas dioceses, d. Odilo revelou que um dos temas tratados foi a preocupação do episcopado com a diminuição do número de católicos.

"Estamos diante dos desafios da mobilidade religiosa, que inquieta nosso coração de pastores", disse o presidente do Regional Sul 1, d. Nelson Westrupp, da diocese de Santo André, falando em nome dos 49 bispos paulistas em uma saudação ao papa. D. Nelson disse que o mapa religioso continua a mudar com o aumento do número dos evangélicos e daqueles que declaram não ter nenhuma religião.

Na audiência particular concedida a d. Odilo e a quatro de seus bispos auxiliares, o papa Bento XVI recordou a sua passagem por São Paulo e Aparecida, em 2007, e perguntou como está a situação da violência, da pobreza, dos menores abandonados e da família na arquidiocese. No encontro, de 30 minutos, o papa pediu detalhes sobre dados constantes de um relatório que os bispos lhe haviam encaminhado com antecedência.

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