Igreja Mórmon gasta pouco com caridade

Um sociólogo que investigou as finanças da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias nos Estados Unidos, cujos fiéis são conhecidos como mórmons, concluiu que a instituição tem nas doações - em especial de indivíduos ricos, como o candidato do Partido Republicano à presidência, Mitt Romney - uma significativa fonte de renda, mas, diferentemente da Igreja Adventista do Sétimo Dia, por exemplo, gasta pouco com caridade e serviços de educação e saúde.

SÃO FRANCISCO , O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2012 | 03h04

Ryan Cragun, da Universidade de Tampa, na Flórida, também revela que a Igreja investe seus recursos de forma conservadora, em especial por meio da compra de imóveis.

Segundo o sociólogo, que baseou sua pesquisa em documentos da Igreja, a instituição recebe cerca de US$ 7 bilhões (R$ 14,1 bilhões) por ano, considerando apenas o pagamento de dízimo e outros donativos.

A Igreja Mórmon também possui templos no valor de US 35 bilhões (R$ 70,5 bilhões) em todo o mundo, além de propriedades rurais, shopping centers e outros estabelecimentos comerciais, que geram muitos outros bilhões de dólares de lucro.

De acordo com a instituição, são cerca de 14 milhões de fiéis, mais da metade deles de fora dos Estados Unidos. Todos devem pagar o dízimo, mas a maioria não é praticante. Nos Estados Unidos e no Canadá, por exemplo, cerca de 40% dos fiéis frequentam os cultos semanalmente; no México e no Brasil, esse índice cai para cerca de 25%.

"A renda vem principalmente dos Estados Unidos, e uma grande porcentagem vem de uma elite de doadores ricos, como Mitt Romney", diz Cragun. Nos últimos dois anos, Romney doou US 4,1 milhões à Igreja, como pagamento de dízimo. Outros ricaços mórmons são o bilionário da indústria química Jon Huntsman - pai de um ex-governador de Utah - e o empresário do ramo de hotéis Bill Marriott Jr.

O porta-voz da Igreja, Michael Purdy, não comentou os números, mas disse que a instituição não é uma empresa. "Essas projeções não refletem como a Igreja usa seus recursos para abençoar a vida das pessoas." / REUTERS

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