IML confirma violência sexual em bebê morta em GO

Laudo preliminar divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto Médico Legal (IML) confirma que a bebê Thauane Barbosa Lima, de seis meses, que morreu domingo em Santo Antônio do Descoberto (GO), sofreu violência sexual e maus tratos, tendo agonizado por 48 horas antes do óbito. Foram encontrados "ferimentos graves na região occipital (cabeça), hemorragia interna, ânus com orifício dilatado, nádegas assadas e grandes lábios vaginais edemaciados e com assaduras", diz o documento, anexado aos autos.

VANNILDO MENDES, Agência Estado

23 Abril 2012 | 20h39

O pai da bebê, Hélio Correia Lima, de 29 anos, está preso como autor da violência. A mãe, Tamires dos Santos Barbosa Nascimento, de 19 anos, também está detida, acusada de omissão. O crime revoltou a população de Santo Antônio, região no entorno de Brasília, a 50 quilômetros do Plano Piloto. Populares enfurecidos fizeram um ato de protesto em frente à delegacia e tentaram tirar o acusado à força da cela para linchá-lo.

O delegado Kleber Martins teve de pedir reforço policial para impedir o linchamento e transferiu o acusado para a Cadeia Pública, após tomar seu depoimento. Hélio negou ser o autor da violência e disse que a bebê sofreu os ferimentos após cair do carrinho. "É uma versão absurda e totalmente descartada", disse o delegado. "O laudo não deixa dúvida: houve abuso sexual, foi uma monstruosidade o que fizeram com a criança", acrescentou.

Hélio foi autuado em flagrante pelos crimes de homicídio qualificado, estupro de incapaz e maus tratos. A pena pode chegar a 40 anos. Também presa, a mãe responderá por omissão criminosa, semelhante a cumplicidade, uma vez que não tomou providências para impedir os maus tratos, nem prestou socorro adequado após o abuso que resultou na morte.

Ela contou à polícia que saiu na última sexta-feira para comprar fraldas e deixou a bebê no colo do pai, no sofá que havia no quintal da casa. Ao retornar, encontrou o sofá destroçado no fundo do quintal - sem o lençol e o acolchoado - e a bebê bastante machucada. A polícia localizou o acolchoado e o lençol, com marcas de sangue e sêmen e mandou para perícia.

A mulher disse que o marido a impediu de buscar ajuda, obrigando-a a manter a situação em sigilo. Os gritos de dor da criança chamaram a atenção de uma vizinha, que levou leite e analgésicos para o casal. Eles inventaram a desculpa de que Thauane havia sofrido um acidente doméstico, mas que estava se recuperando.

Tamires disse que embora tenha testemunhado maus tratos e abusos sexuais na bebê desde que ela tinha dois meses, era impedida de levar a denúncia adiante porque sofria espancamentos constantes e vivia sob ameaça de morte, caso delatasse a situação. Contou que chegou a ligar para o disque denúncia e relatou as agressões também à pastora da sua Igreja evangélica, que se limitaram a aconselhá-la a se separar.

Ela disse que não tinha para onde ir porque o pai a rejeitava por ter se casado com Hélio contra sua vontade. "Não tive como evitar essa tragédia", afirmou a mulher. "Graças a Deus me livrei desse monstro", disse ela. "Só lamento que minha filha morreu". Ela contou que o conheceu há dois anos, apresentada por familiares dele, e nunca imaginou que fosse um criminoso perigoso.

"Quando o conheci, parecia boa pessoa", relatou. Passaram a morar juntos e logo a seguir ela engravidou de Thauane. Hélio tem ficha criminal desde muito jovem e já cumpriu três anos em regime fechado por homicídio. Há três anos, ainda em liberdade condicional, mudou-se de Porangatu para Santo Antônio, onde conheceu Tamires.

Depois de agonizar por dois dias, Thauane foi levada ao Hospital Municipal de Santo Antônio, mas já chegou morta. Além de hematomas, ela tinha assaduras nas partes íntimas e outros sinais de violência sexual. Tamires tem outra filha, de quase dois anos, que é criada pela avó. Ela também prestou depoimento e confirmou que Hélio maltratava a mulher e as crianças, mas ele disse que as duas mentiam.

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