Imóveis de 80% das igrejas são impróprios, diz professor

Pesquisador da PUC estudou espaço das igrejas e garante que maioria não tem segurança adequada

Vitor Hugo Brandalise, de O Estado de S. Paulo,

20 Janeiro 2009 | 08h25

A "imensa maioria" dos templos que proliferaram em São Paulo nas últimas décadas funciona em lugares "adaptados", que não oferecem condições de segurança, segundo o professor da PUC-SP Edin Abumanssur, autor do livro As Moradas de Deus, sobre o espaço físico de Igrejas pentecostais na capital. "Entre 80% e 90% dos locais em que as Igrejas se instalaram não são adequados a abrigar o fluxo de pessoas que recebem. A maior parte das igrejas da cidade é mantida pelos próprios fiéis, geralmente em comunidades carentes, com preocupação mínima sobre a adequação do espaço físico", afirma.   Veja também: Igreja desabou por falta de manutenção, dizem técnicos Casal Hernandes pode voltar ao Brasil em junho Igreja usa mídia própria para falar em 'milagre' Em tragédia de templo em Osasco, crime prescreveu Interdição no entorno da Renascer deixa 15 pessoas desalojadas Troféu de Kaká não estava no templo; jogador casou no local Casal Hernandes divulga nota sobre desabamento Igreja Renascer divulga lista das vítimas do desabamento  Galeria de fotos: imagens do local e do resgate às vítimas  Todas as notícias sobre o desabamento na Igreja Renascer     Não há dados atualizados sobre o número de templos que têm alvará para funcionamento na capital - o último levantamento do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru), de 1998, apontava cerca de 4 mil templos na capital. Apenas 186 tinham alvará.   Originalmente construídas para outros fins, as instalações - que ocupam o andar de cima de bares, salões de beleza, agências de motoboys, oficinas mecânicas, borracharias, garagens de residências, todos exemplos constatados pela reportagem do Estado - hoje servem de palco para cultos que reúnem entre dezenas a algumas centenas de fiéis. "Impossível encontrar uma saída de emergência num local construído para ser um salão de beleza, ou a garagem de uma loja de materiais para construção, por exemplo", diz.   Segundo o pesquisador, que percorreu cerca de 70 templos de Igrejas pentecostais da capital, exemplos assim se reproduzem por toda a cidade, especialmente na periferia. "É a maneira que a comunidade encontra para propagar a fé, temos de entender isso. Mas certamente a imensa maioria deles não está preparada para qualquer tipo de acidente mais grave, como um incêndio ou desabamento", diz. "Difícil imaginar que a garagem de casa seja adaptada para receber, com segurança, entre 50 e 100 pessoas. Há locais em que não existem nem banheiros. E imagine um incêndio em um templo que funciona no andar de cima de uma loja, com acesso apenas pela porta da rua. Se acontece um incêndio, quantas pessoas conseguem sair?"   Abumanssur afirma que, com a diminuição da oferta de cinemas ou teatros desativados para instalação de igrejas - como ocorreu principalmente nos primeiros anos da década de 1990 -, caiu também o nível de segurança nos templos. "Por terem sido projetados para maior número de pessoas, cinemas e teatros oferecem estrutura mais segura. Hoje, pequenas congregações de Igrejas maiores, ou as denominações que surgem a toda hora, são instaladas na casa ou comércio de algum fiel."

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