Impasse em acordo do clima divide países ricos

União Europeia condicionou sua participação no pacto à entrada dos EUA, Japão e outros industrializados

Andrei Netto e Afra Balazina, COPENHAGUE, O Estadao de S.Paulo

10 Dezembro 2009 | 00h00

Os impasses entre as nações ricas tornaram-se públicos ontem, no terceiro dia da 15ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-15), em Copenhague. A União Europeia condicionou a sua presença no acordo que deve entrar em vigor após 2013 à entrada dos Estados Unidos, Japão e de outros países industrializados.

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Em resposta, Todd Stern, assessor para assuntos climáticos da Casa Branca, descartou a hipótese de que os termos de Kyoto sirvam de base para o novo protocolo, com a participação dos EUA. Stern admitiu que elementos do atual acordo, como o mercado de carbono, podem ser aceitos. Mas nada além disso. "Se estamos falando em pôr outro nome no Protocolo de Kyoto, não vamos aceitar."

Em público, Anders Turesson, negociador-chefe da Suécia, país que preside a UE, não descartou que o bloco abandone o Protocolo de Kyoto em favor de outro acordo climático, ainda inexistente. "O essencial é manter o sistema de Kyoto, sua arquitetura", argumentou.

Minutos depois, na mesma sala, Todd Stern - principal assessor do presidente Barack Obama para assuntos climáticos - foi taxativo: "Não vamos fazer parte de Kyoto. Essa proposta não está sobre a mesa."

Os EUA e a China também pressionaram um ao outro. O negociador chinês, Su Wei, classificou de insuficiente a proposta dos EUA de cortarem em 17% as emissões de CO2 até 2020 e pediu uma meta mais ambiciosa. O governo americano também exigiu compromisso e afirmou que os EUA não transferirão recursos para a China. "Não há nenhuma chance. Queremos direcionar os nossos dólares para os países mais pobres. A China tem uma economia dinâmica, está sentada em uma reserva de US$ 2 bilhões. Não creio que seja a primeira candidata para receber recursos públicos", declarou Stern.

Stern também demonstrou intransigência sobre a transferência de recursos para nações em desenvolvimento, prevista por Kyoto. Na segunda, o Estado revelou que a UE lidera o grupo dos países que quer vetar dinheiro para emergentes, como Brasil, China e Índia. Questionado sobre até que ponto os EUA estão dispostos a repassar recursos para os fundos de Adaptação e Mitigação - que financiariam ações de redução de emissões de CO2 em países em desenvolvimento -, Stern afirmou que está disposto a aceitar o financiamento de curto prazo, válido até 2013 e estimado em US$ 10 bilhões. Mas apenas para as nações mais pobres. Ele não fez referências a compromissos de médio prazo, até 2020.

Nos bastidores, europeus e latino-americanos dizem não acreditar em um acordo financeiro - a rigor, o mais importante tema da COP-15. Criador de um mecanismo de financiamento baseado no mercado de carbono, Leif K. Ervik, da Noruega, disse: "A chance de um compromisso que inclua recursos por parte dos ricos é zero."

APREENSÃO

A polícia da Dinamarca apreendeu um arsenal de bombas de tinta, escudos e outros itens que supostamente seriam usados em atos violentas durante a conferência. Ninguém foi preso.

COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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