Impasse entre alunos e a reitoria continua na Unicamp

Estudantes exigem acordo; reitor diz que só negocia após desocupação

Agencia Estado

02 Julho 2007 | 09h36

Continua o impasse na reitoria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) na manhã desta quinta-feira, 28. Os estudantes ainda esperam que a diretoria acadêmica receba representantes dos alunos para negociar a liberação do prédio em troca de algumas exigências. Na manhã desta quinta, a Unicamp divulgou nota oficial sobre a invasão das instalações da Diretoria Acadêmica (DAC) por um grupo de alunos. A Unicamp mantém a posição de só conversar depois que os invasores deixarem o local. "A reitoria mantém sua disposição de não negociar com os invasores enquanto não houver a desocupação da DAC", diz a nota da universidade. O esclarecimento surge no dia seguinte à declaração do reitor José Tadeu Jorge de que a instituição só negociará com os alunos após a desocupação do prédio. Na noite da última quarta, os estudantes realizaram assembléia e decidiram que poderiam desocupar a área ainda nesta tarde desde que a reitoria iniciasse uma negociação. A liberação do prédio pelos cerca de 200 estudantes que seguem com o protesto, iniciado no último dia 18, está prevista para as 14 horas desta quinta. Entre os pontos a serem discutidos está a não-punição dos cerca de 200 manifestantes, que há 11 dias estão acampados na reitoria. Além disso, os estudantes pedem a revogação do decreto do governador José Serra que cria a Secretaria de Ensino Superior e a reforma da moradia da Unicamp. Uma comissão formada por funcionários e professores solidários à greve formulou uma carta à reitoria da universidade para solicitar o entendimento entre o grupo que ocupa o prédio da direção acadêmica e Jorge. Na última quarta, um grupo de docentes membros do Conselho Universitário da Unicamp fez um abaixo-assinado eletrônico "contra a violência e em defesa da universidade pública e gratuita e de sua autonomia". Segundo informou Cláudia Bauzer, docente do Instituto de Computação, desde o dia 4 já foram coletadas ao menos 720 assinaturas - 400 de professores da universidade - "contra invasões e violência física que impeçam pessoas de exercerem seu direito de trabalho". "Em atenção ao documento carta-proposta pela manutenção da luta em defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade, a reitoria, naquilo que lhe concerne, está, como sempre esteve, aberta ao diálogo e reiniciará negociações com os estudantes tão logo a DAC seja desocupada", diz o esclarecimento divulgado pela universidade. A universidade conseguiu mandado de reintegração de posse na 1ª Vara da Fazenda Pública de Campinas, mas o reitor disse, em entrevista ao Estado, que retomar o prédio público é uma atribuição da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. A universidade informou, por meio de assessoria de imprensa, que a ocupação prejudica o controle da vida acadêmica de 34 mil alunos - calendário de matrículas, fornecimento de histórico escolar, preparação de aulas e emissão de certificados de conclusão de curso. Com Tatiana Fávaro, do Estado, e Paulo R. Zulino, do estadao.com.br Matéria ampliada às 11h20 para acréscimo de informações

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