Max Rossi/Reuters
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Impasse na Itália após nenhum grupo obter clara maioria no Parlamento

'O vencedor é a ingovernabilidade', disse jornal após eleição na qual o voto de protesto liderou as pesquisas

Reuters

26 de fevereiro de 2013 | 08h05

ROMA - Os mercados acionários recuaram e os custos do empréstimo estatal subiram nesta terça-feira, 26, com temores de investidores sobre o impasse político após uma eleição que viu o voto de protesto liderar as pesquisas e em que nenhum grupo obteve uma clara maioria no Parlamento.

"O vencedor é: Ingovernabilidade", dizia a manchete do jornal Il Messaggero de Roma, refletindo o impasse que o país terá de enfrentar nas próximas semanas, com inimigos declarados sendo obrigados a trabalhar juntos para formar um governo.

Em um sinal do que está por vir, o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi indicou que a sua centro-direita pode estar aberta a uma grande coalizão com o bloco de centro-esquerda de Pier Luigi Bersani, que terá a maioria na Câmara.

Resultados no Senado, onde as cadeiras são distribuídas regionalmente, indicavam que a centro-esquerda ficaria com cerca de 119 assentos, em comparação com 117 para a centro-direita. Mas 158 são necessários para uma maioria para governar.

Qualquer governo de coalizão que pode vir a ser formado deve ter a maioria trabalhando em ambas as Casas, para poder aprovar a legislação.

Mercados financeiros mundiais reagiram com nervosismo à perspectiva de um impasse na economia da zona do euro, a terceira maior, com lembranças recentes da crise que levou o bloco de 17 Estados à beira do colapso em 2011. A chanceler alemã, Angela Merkel, fez um apelo ao país para manter as reformas propostas pelo governo tecnocrata do primeiro-ministro Mario Monti, de saída.

O fraco desempenho do bloco centrista de Monti, no entanto, refletiu um cansaço com o plano de austeridade que foi explorado por Berlusconi e pelo comediante Beppe Grillo, com seu populista Movimento 5 Estrelas, que ganhou mais votos do que qualquer outro partido único, tendo 25% em nível nacional. Aliados de Bersani ajudaram seu bloco de centro-esquerda a vencer na Câmara por apenas 125 mil votos.

Berlusconi, um magnata da mídia, disse que não está preocupado com a reação do mercado. Em um telefonema para um programa de televisão pela manhã, ele disse: "A Itália deve ser governada." Ele descartou um acordo com Monti, mas disse que ele "deve refletir" sobre um possível acordo com a centro-esquerda: "Cada (lado político) deve estar preparado para fazer sacrifícios."

O euro recuou para uma mínima de quase sete semanas contra o dólar na Ásia por temores sobre a crise da dívida na zona do euro. O euro chegou a US$ 1,3042 - mínima desde 10 de janeiro.

Bersani reivindicou a vitória na Câmara e disse que é óbvio que a Itália está em "uma situação muito delicada". Grillo, no entanto, não mostrou disposição imediata para negociar. Comentaristas disseram que todos os seus adversários subestimaram o apelo de um movimento popular que classificou como um "não-partido", que teve impacto especialmente entre jovens italianos desempregados e sem perspectiva de um futuro digno.

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