Importações de minério da China cairão no 2o semestre

O apetite da China pelo minério de ferro estrangeiro pode recuar um quinto no segundo semestre, após compras recordes na primeira metade do ano, já que os altos preços à vista encorajam a reabertura de minas inativas no país, de acordo com uma pesquisa da Reuters.

MIYOUNG KIM, REUTERS

27 Julho 2009 | 12h49

O maior fabricante mundial de aço vai importar 236 milhões de toneladas no segundo semestre, mostrou a média da pesquisa com oito analistas, contra 297 milhões de toneladas nos seis primeiros meses, com os estoques duas vezes mais altos do que o normal também pesando sobre as compras.

Os preços do minério de ferro no mercado à vista subirão para uma mediana de 90 dólares a tonelada entregue na China até o final deste ano, contra 70 dólares no final do primeiro semestre, conforme a demanda de fora da China finalmente melhora, de acordo com média da projeção de cinco analistas.

"A demanda por minério de ferro fora da China vai se recuperar dos níveis bastante deprimidos no quatro trimestre e primeiro semestre do ano que vem conforme as siderúrgicas finalizam com a liberação de estoques e elevam a produção", disse Jim Lennon, analista do Macquarie.

"A alta dos preços à vista vai levar à reabertura de minas de minério de ferro domésticas, reduzindo levemente as exigências de importação e colocando um teto sobre os preços spot no final de 2009/início de 2010 em cerca de 90 a 100 dólares por tonelada, incluindo custo e frete para a China".

Os preços à vista do minério de ferro estão no maior patamar em oito meses, sendo o minério com 62 por cento de ferro negociado a 89,5 dólares a tonelada nesta semana, de acordo com o Steel Index.

Esse valor fica cerca de 15 por cento acima do contrato referencial de 2009 que as mineradoras fecharam com siderúrgicas japonesas e sul-coreanas.

Apesar de a maior parte dos analistas concordar que os preços vão permanecer firmes até o final do ano, eles mostraram-se bastante divididos sobre 2010.

Os preços dos contratos, que caíram 33 por cento no atual ano fiscal mas ainda estão no segundo maior patamar da história, devem permanecer inalterados em cerca de 61 dólares a tonelada FOB no ano que vem, de acordo com a mediana da pesquisa com sete analistas.

Mas as estimativas variaram de uma queda de 16 por cento para um aumento de 10 por cento.

O sistema de determinar os preços em contratos anuais pode ter sua maior mudança em seus 40 anos de história já que a China se recusa a oficialmente endossar o acordo referencial assinado por suas rivais globais.

Outro fator imponderável é a situação das minas inativas do país, muitos das quais de alto custos e localizadas no interior. A produção doméstica de minério, que normalmente atende a 60 por cento da demanda, começou a aumentar, subindo 27 por cento em junho.

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