Importador de lixo hospitalar deve ser indiciado

O inquérito da Polícia Federal (PF) que investiga a importação de lixo hospitalar pela empresa Na intimidade, de Santa Cruz do Capibaribe (PE), só aguarda os laudos do Instituto de Criminalística de Pernambuco (IC) e do Instituto Nacional de Criminalística (INC) para ser concluído. "É boa a possibilidade de o importador (Altair Teixeira de Moura) ser indiciado", disse, em conversa com jornalistas, o delegado regional de combate ao crime organizado da PF, Nilson Antunes da Silva.

ANGELA LACERDA, Agência Estado

26 Outubro 2011 | 19h21

O empresário pode ser indiciado pelos crimes de contrabando - importação de material proibido - e de crime ambiental - contaminação do ambiente com material biológico, no caso, lixo hospitalar. "Se o laudo apontar que o produto é usado, já caracteriza contrabando e se apontar resquícios biológicos, pode ser qualificado o crime ambiental", explicou o delegado. O produto importado era utilizado na confecção de forros de bolsos para confecções.

O secretário estadual de Defesa Social, Wilson Damázio, confirmou a existência de sangue em algumas peças examinadas pelo IC, cujos laudos deverão ser entregues amanhã à PF. O material analisado pelo IC é composto por lençóis e jalecos usados, muitos com manchas, recolhidos nos galpões da importadora em Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe. "Mesmo os que não apresentavam sangue estavam sujos, usados", assegurou.

Amostras das 46 toneladas de lençóis apresentando manchas e com logomarcas de hospitais norte-americanos - além de cateteres, seringas e luvas usadas - apreendidos e retidos no Porto de Suape, nos dias 11 e 13, em dois contêineres embarcados no Porto de Charleston, na Carolina do Sul, ainda serão encaminhadas para análise do INC, em Brasília, além de amostras também recolhidas pela PF nos três galpões da Na Intimidade.

De acordo com o delegado, Moura já realizou cerca de 20 importações da empresa Texport Inc desde que abriu sua empresa, em 2009. Os documentos apreendidos nas sedes da Na Intimidade estão sendo analisados para saber como ocorriam as importações anteriores, como era feito o pagamento, qual a movimentação e capacidade financeira da empresa, cujo nome fantasia é Império do Forro de Bolso. Segundo Antunes da Silva, não há, até o momento, indícios de outras empresas pernambucanas envolvidas com esse tipo de importação.

Mais conteúdo sobre:
saúdelixo hospitalar

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.