Impreza é foguete para usar a toda hora

Além do bom espaço, versão WRX tem motor de 230 cv

Nícolas Borges, nicolas.borges@grupoestado.com.br, Jornal do Carro

20 de março de 2009 | 10h19

Geralmente, ter um esportivo puro-sangue significa abrir mão de coisas como espaço, conforto, porta-malas e economia. Mas com o Subaru Impreza WRX é possível combinar todos esses quesitos com um comportamento dinâmico verdadeiramente agressivo.

 

A grande entrada de ar no capô não é para enfeitar:

ajuda a resfriar o radiador, que fica no alto do motor

 

O JC avaliou com exclusividade a versão sedã do Impreza, que começou a ser vendida neste mês a R$ 125.900, mesmo valor do hatch, oferecido desde meados do ano passado. Parece muito para um três-volumes médio japonês, mas esse não é o caso do Impreza WRX, que é como um carro de rali amansado (saiba mais sobre a história do esportivo na página 16).

 

Ele oferece desempenho inversamente proporcional ao seu desenho quase inócuo, não fosse por detalhes como a enorme entrada de ar no capô e as duas saídas do escapamento. O tradicional motor 2.5 boxer, com seus quatro cilindros contrapostos (como nos VW a ar), desenvolve 230 cv e 32,6 mkgf. Essa força é distribuída ao solo por meio de um câmbio manual de cinco marchas (não há opção automática) e pela precisa tração nas quatro rodas em tempo integral.

 

Mesmo não sendo um carro pequeno nem leve (4,58 metros de comprimento e 1.410 kg), o WRX mostra um apetite invejável para engolir o asfalto. Acelerações e retomadas com o pé embaixo fazem o corpo grudar no banco do tipo concha. Segundo informações da Subaru, ir de 0 a 100 km/h leva só 6,5 segundos.

 

Além de andar muito, o Impreza trabalha feliz no cotidiano, seja com o porta-malas de 420 litros cheio de compras ou com dois adultos sem aperto atrás. E com consumo interessante. Num trecho urbano, sem forçar o carro, o computador de bordo acusou 8,4 km/l.

 

Rali

 

Disponíveis a 2.800 rpm, os 32,6 mkgf de torque do Impreza WRX se fazem tão presentes que permitiram a colocação de um controlador de velocidade de cruzeiro, item normalmente visto só em carros de transmissão automática. Em quinta marcha, dá para retomar de 40 km/h até a velocidade máxima, divulgada pela fábrica, de 209 km/h.

 

Quanto ao câmbio, aliás, os engates até poderiam ser levemente mais macios, especialmente na ré, difícil de entrar às vezes. Mas nada que atrapalhe em condição normal de uso.

 

E o controle que se tem nas curvas é enorme, mesmo com os pneus relativamente modestos (205/50 R17, da Yokohama). Até em asfalto molhado os limites de aderência surpreendem, graças à tração permanente nas quatro rodas. Também importante é a suspensão independente nas quatro rodas, que mantém o Impreza firme e lida bem com irregularidades do piso.

 

A sensação de se estar num carro de rali aumenta com detalhes como os bancos do tipo concha e o conta-giros grande, no centro do quadro de instrumentos, como deve ser num esportivo.

 

Apesar da tecnologia e dos itens de segurança, como os seis air bags e a tração integral, o Impreza não esconde a origem popular - pelo menos fora do Brasil. Só para se ter uma ideia, a versão de entrada tem motor 1.5 de 107 cv e tabela de R$ 64.900. Os materiais da cabine são de qualidade, mas o plástico impera.

 

Simples também são as alças do porta-malas, que tomam espaço da bagagem. Mas o carro está longe de ser pobre. Há faróis de xenônio e sistema de áudio com disqueteira no painel.

 

Títulos

 

Lançado em 1993, e em sua terceira geração, o Impreza é um carro jovem, se comparado com seus rivais nipônicos no exterior, como Honda Civic e Toyota Corolla, de 1973 e de 1968, respectivamente.

 

Mas seu histórico de conquistas é digno de qualquer veterano. Logo no ano de lançamento, o carro já começou a participar do Campeonato Mundial de Rali, o WRC, e a primeira vitória foi em 1994, com o piloto espanhol Carlos Sainz.

 

Desde então, o sedã médio da Subaru ganhou três títulos seguidos entre os construtores, de 1995 a 1997, e outros três de pilotos. O primeiro foi com o escocês Colin McRae, em 1995, seguido do inglês Richard Burns, em 2001, e do norueguês Petter Solberg, em 2003.

 

Antes do Impreza, a Subaru tinha papel discreto nas competições de rali com o Legacy, maior e mais pesado.

 

Em dezembro passado, pouco depois de ter colocado nas pistas o hatch da nova geração, a Subaru anunciou sua retirada do WRC, por conta da crise econômica mundial.

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