IMPUNIDADE MAGOA AS VÍTIMAS DE AGRESSÃO

"Vou te matar, sua vagabunda." Logo depois da ameaça, veio o chute. A sorte de Maria Aparecida de Fátima, de 55 anos de idade e 18 como diretora, foi o pontapé ter acertado a parede antes de atingir sua perna. "Se ele me acertasse em cheio, eu estaria de cadeira de rodas", lembra.

RIO, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2011 | 03h04

"Ele" é um aluno de 15 anos da Escola Caíque Maria Silva Lucas, em Contagem, região metropolitana de Minas.

O motivo da agressão foi banal. "Mandei ele entrar na sala para assistir à aula. Ele se recusou. Eu o encaminhei para a supervisão e disse que ia chamar sua mãe. Ele veio atrás de mim, gritando que ia me matar."

Um funcionário gravou tudo e a cena da agressão, há 40 dias, foi parar no YouTube. O aluno foi detido pela patrulha escolar e está acautelado numa instituição para menores. Vai ficar lá por 45 dias. "Para esta escola ele não volta. Vai ser transferido. Ele tem problemas sérios, mas nada justifica a agressão."

As agressões a professores não costumam terminar em punição. "A maioria nem faz denúncia à polícia. E quando o processo criminal chega ao fim, geralmente o juiz determina uma transação penal, como prestar serviço à comunidade ou pagar cesta básica", explica Jorge Bulcão, advogado do sindicado dos professores do Rio, que atualmente acompanha dez casos na Justiça.

A falta de punição magoa os professores. "Punições mais severas impediriam outros casos. A escola não pode passar a mão na cabeça dos meninos", defende Antonio Mário Cardoso da Silva, de 40 anos, professor de história da rede estadual em São Paulo. Há dois meses, ele foi agredido por um aluno de 12 anos enquanto conversava com ele e a mãe sobre problemas de disciplina. "De repente, ele se levantou, pegou o vaso de cerâmica e quebrou na minha cabeça. Podia ter me matado." Pior que a dor foi não entender o motivo da violência. "Os alunos sempre me respeitaram. Sou professor por ideologia. Acredito que a educação mude a sociedade." O aluno segue na escola. / M.V.

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