Imunização chega à reta final em meio a contradição

A maior campanha de vacinação já realizada no País, a imunização contra o vírus A (H1N1), aproxima-se da reta final marcada por uma contradição: de um lado, índices insatisfatórios de cobertura vacinal, pessoas que precisam ser imunizadas, mas não foram. Do outro, a reivindicação de procuradores para que mesmo grupos não prioritários sejam vacinados.

Análise: Fabiane Leite, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2010 | 00h00

Ciberterrorismo contra a vacina, divulgação tímida e baixa mobilização das unidades de saúde para chegar onde o público está ajudam a explicar o primeiro quadro. Só mais de um mês após o início da campanha é que todos os 36 mil postos que oferecem a vacina ficaram abertos no fim de semana e as equipes foram para shoppings. O efeito foi imediato. Ações dirigidas podem fazer mais diferença do que estratégias padronizadas.

Mas o quadro é mais complexo. Autoridades priorizaram os que mais foram internados ou morreram, diante do reconhecimento de que não haveria vacinas para todos. E apresentaram a estratégia ao Ministério Público e à academia. Porém, a autonomia no MP permite diferentes interpretações. E, como a ciência é feita de debates, desde março já havia especialista defendendo a expansão da vacina. A falta de mais diálogo pode ter levado à ruptura. Mas mudanças agora podem prejudicar os que mais sofreram com a gripe e que, ninguém discorda, devem ser vacinados.

É JORNALISTA DE "O ESTADO DE S. PAULO"

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