Inadimplência seria maior sem o saque de reservas

Instituições que analisam regularmente os indicadores de inadimplência mostram que piorou a situação dos consumidores. Mas a deterioração seria ainda maior sem os saques superiores a R$ 32 bilhões nas cadernetas de poupança até maio, sabendo-se que muitas famílias usam habitualmente as reservas financeiras para não perder a condição de bons pagadores.

O Estado de S.Paulo

14 Junho 2015 | 03h00

A Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), que se vale dos números do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), informou que, entre dezembro de 2014 e o mês passado, 2 milhões de pessoas engrossaram a lista de inadimplentes. Chegou a 56,5 milhões o número de pessoas enquadradas em algum tipo de inadimplência.

Entre maio de 2014 e maio de 2015, segundo a CNDL, recuou em 8,72% o Indicador de Recuperação do Crédito, embora na comparação entre abril e maio deste ano tenha havido uma pequena melhora. As dívidas atrasadas entre 91 dias e 180 dias foram as que mais cresceram, sugerindo que “novos inadimplentes tomaram dívidas no período de festas do fim do ano passado”, notou Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil.

No levantamento da Boa Vista SCPC, a inadimplência (com ajuste sazonal) aumentou 2,7% entre abril e maio e 3,1% em relação a maio de 2014. Nas áreas pesquisadas, a Região Sul registrou declínio na inadimplência (-0,8%), mas esta cresceu no Sudeste (+1,6%), no Nordeste (+4%), no Norte (+7%) e no Centro-Oeste (+8,6%).

As pesquisas retratam não apenas o comportamento dos consumidores de bens, mas também de serviços prestados pelas concessionárias e bancos.

A elevação substancial das tarifas de eletricidade provocou maiores atrasos de pagamentos. Segundo a SPC Brasil, cresceram 13,31%, em um ano, os atrasos no pagamento de serviços de água e luz, seguindo-se os atrasos em serviços de telefonia, internet e TV por assinatura (12,02%).

O cartão de crédito está no centro da inadimplência. Clientes que fizeram suas compras usando o instrumento ficaram inadimplentes com os bancos, que são os maiores credores de dívidas em atraso, respondendo por 48,56% das operações, segundo a SPC Brasil.

Crescimento do desemprego e da inflação e perda de renda real, além de queda da produção industrial e de serviços, tornam mais difícil conter a tendência de alta da inadimplência.

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