Inclusp ajuda 12% dos alunos da USP vindos da rede pública

O total de matriculados de 2.719 estudantes de escolas públicas representa 26,7% do total de aprovados

Renata Cafardo, Estadão

07 de agosto de 2007 | 17h15

O bônus de 3%, dado pela primeira vez neste ano na prova da Fuvest, ajudou 12% dos 2.719 estudantes de escolas públicas aprovados e matriculados na Universidade de São Paulo (USP). Os outros 88% - cerca de 2.400 deles - teriam ingressado na instituição de qualquer maneira.   O benefício faz parte do programa de inclusão da universidade, chamado Inclusp, e foi dado exclusivamente para alunos da rede pública que participaram do vestibular.   A partir deste ano, os estudantes que têm direito ao bônus poderão escolher se querem ou não recebê-lo. Até o ano passado, ele era dado a todos os alunos da rede pública.   Os números finais do programa foram divulgados na noite de segunda-feira, 6, durante um evento na Escola Estadual Andronico de Melo, na Vila Sonia, que mais aprovou alunos na USP neste ano. Em fevereiro, a instituição havia divulgado que 2.678 estudantes da rede pública tinham sido aprovados na Fuvest, o que representava 20% a mais do que no ano anterior. Algum tempo depois, a USP informou que as contas seriam refeitas e o balanço final do Inclusp só pôde ser divulgado ontem.   O total de matriculados de 2.719 representa, segundo a pró-reitora de graduação, Selma Garrido Pimenta, 26,7% do total de aprovados no vestibular da Fuvest neste ano. Isso representa cerca de 30% mais alunos de escola pública do que havia sido registrado em 2006.   "O objetivo é chegar a 50%", disse a reitora Suely Vilela, que participou do evento na escola estadual com a secretária da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro.   Elas e outros diretores da instituição inauguraram a segunda etapa do programa Embaixadores da USP, que começou em junho, mas teve sua divulgação prejudicada pela ocupação de 50 dias da reitoria da universidade. O programa organiza visitas de alunos aprovados na instituição às escolas públicas em que estudaram, numa forma de incentivar outros estudantes a participar do vestibular.   "Pode parecer piegas, mas a gente só consegue entrar na USP se acreditar que não somos inferiores", disse ontem à noite a caloura de Pedagogia Giulianny Russo, de 25 anos, aos estudantes do ensino médio.   Ela e outros colegas da universidade - 20 estudantes da escola ingressaram na USP - conversaram com os adolescentes, deram dicas sobre a isenção da taxa do vestibular, sobre o bônus para alunos da rede pública e entregaram panfletos explicativos. "Os alunos têm pouco informação, eu já cheguei a pensar que quem pagasse R$ 20 mil entrava na USP", disse Talita Jacome, de 19 anos, aluna de Letras.   Silandi da Glória dos Santos, de 17 anos, ouviu atenta e disse que mudou de opinião. "Queria fazer Pedagogia, mas nem ia prestar a USP, agora acho que dá", disse. Entre os 2.719 alunos da rede pública matriculados, 1.511 vieram de 700 escolas estaduais paulistas. O restante estudou em unidades federais e municipais, não só de São Paulo.

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