Incra é o maior devastador da Amazônia, diz Minc

O Incra encabeça a lista dos cem maiores devastadores da Amazônia e será processado por isso, disse na segunda-feira o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Todas as seis maiores áreas desmatadas desde 2005 pertencem ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), perfazendo 223 mil hectares de matas derrubadas por colonos para vender a madeira e abrir espaço para lavouras. "Vamos detonar os cem, e depois outros", disse um irritado Minc em entrevista coletiva na qual divulgou a lista e prometeu processar os culpados. Dados oficiais divulgados na segunda-feira mostraram mais um aumento na taxa de devastação da Amazônia. Cerca de 756 quilômetros quadrados foram derrubados em agosto, o dobro do índice de julho, segundo o Instituto Nacional de Estudos Espaciais (Inpe). "Foi um dado péssimo", disse Minc, atribuindo-o à ampliação da agropecuária e ao furto de terras por meio da falsificação de títulos de propriedade. Minc havia apresentado a redução do ritmo da destruição da floresta nos meses anteriores como um sinal da eficácia das políticas de preservação. A notícia de que o Incra encabeça a lista dos devastadores deve dar força ao argumento dos grandes fazendeiros de que os camponeses pobres também são responsáveis pela destruição da Amazônia. Milhares de colonos vivem em propriedades do Incra, que não comentou a notícia. Outras cifras divulgadas na segunda-feira por Minc mostram que proprietários privados desmataram três vezes mais que o Incra entre janeiro e agosto. O ministro anunciou também a criação de uma nova polícia ambiental, com 3.000 homens fortemente armados e especialmente treinados para combater a destruição da Amazônia. Entre agosto de 2007 e julho de 2008, o total destruído chega a cerca de 12 mil quilômetros quadrados. É um resultado pior que o do ano anterior (11.224 quilômetros quadrados), mas ainda bem aquém do recorde de 27.739 quilômetros quadrados em 2004. (Reportagem de Raymond Colitt)

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