Índice de infecção por HIV não aumenta após carnaval

Os testes para detecção da aids e os índices de infecção por HIV não aumentam depois do carnaval, apesar do senso comum de que nesse período as pessoas fazem mais sexo desprotegido. O ginecologista e obstetra Christóvão Damião Júnior avaliou exames realizados no laboratório que é referência para a cidade de Niterói (RJ). Ele identificou que houve redução no número de testes e de resultados positivos nos meses de fevereiro.

CLARISSA THOMÉ, Agência Estado

26 de fevereiro de 2013 | 19h13

O trabalho, tese de mestrado defendida nesta terça-feira na Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), aponta para a importância de campanhas preventivas ao longo do ano, e não apenas sazonais, no período pré-carnaval e em dezembro, pelo Dia Mundial de Luta contra a Aids.

Damião Júnior analisou 64,5 mil exames realizados no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2006, no Laboratório Central de Saúde Pública Miguelote Viana, em Niterói. Nenhum padrão foi encontrado. A média de testes feitos em fevereiro (mês de carnaval, naqueles anos), ficou em 749,8 exames - a mais baixa, em comparação com os outros meses do ano.

A média de resultados positivos também foi aleatória: de 39,3 nos meses de janeiro; 29,3 para fevereiro; 40,8 para março; 31,8 para abril; 31,1 para maio; 34,6 para junho; 33,8 para julho; 38,6 para agosto; 35,0 para setembro; 34,8 para outubro; 31,5 para novembro e 33,6 para dezembro. "Queríamos saber se haveria repercussão das campanhas nos testes sorológicos após essas datas festivas e isso não ficou demonstrado", afirmou o médico. "É claro que não podemos extrapolar esse resultado para todo o País, mas espero que esse trabalho incentive outras pesquisas semelhantes", afirmou.

Nascimentos

Para o médico, não ficou evidenciado o comportamento de risco no período do carnaval. Ele analisou ainda o número de bebês nascidos em Niterói em novembro, 9 meses depois do período da festa nos anos estudados. "Não houve aumento da natalidade nem de abortos na cidade nesse período. Quem faz sexo sem proteção no carnaval, tem esse comportamento ao longo do ano. Daí a importância de campanhas de prevenção duradouras".

O diretor adjunto do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Eduardo Barbosa, ressalta que não haveria como financiar campanhas de televisão ao longo do ano. "Não fazemos relação entre o carnaval e o aumento ou diminuição do número de testes. A data serve de plataforma para ações de comunicação que acontecem ao longo do ano. A estratégia é de ampliação do diagnóstico", afirmou. Ele lembrou que o governo tem a ação Fique Sabendo, com a instalação de pontos para teste rápido de HIV em locais de movimento, como Festa do Caminhoneiro, Rock in Rio e outros eventos. No ano passado, 3,7 milhões de exames foram distribuídos no País.

Tudo o que sabemos sobre:
SAÚDEAIDScarnaval

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.