Índios mantém 8 funcionários da Funasa reféns no AP

Um grupo de índios tyriós mantém desde a tarde de ontem oito funcionários da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no Amapá como reféns no Parque do Tumucumaque (AP). Os funcionários viajaram domingo para o Parque, onde desenvolveriam ações de capacitação e fariam um levantamento para uma campanha de vacinação na aldeia. Entre os reféns está a gestora do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei), Marcela Bentes. Segundo o superintendente da Funasa no Amapá, Gervásio Oliveira, os tyriós reivindicam o repasse da segunda parcela, no valor de R$ 1,5 milhão, de um convênio assinado em março do ano passado entre a Funasa e a Associação dos Povos Indígenas do Tumucumaque (Apitu) para ações básicas de saúde nas aldeias indígenas, como compra de medicamentos, alimentação para os indígenas doentes e o pagamento dos agentes de saúde. Os índios exigem a presença de Gervásio Oliveira na aldeia. O superintendente da Funasa passou o dia tentando negociar, via rádio, com os índios tyriós a liberação dos funcionários, mas eles se recusaram a conversar pelo rádio. Eles querem que Oliveira vá a aldeia para conversar pessoalmente. Oliveira diz que é mais proveitoso ficar em Macapá, de onde é mais fácil manter contatos com a Funasa em Brasília para liberação dos recursos reivindicados pelos tyriós. Ainda hoje, uma reunião na Funasa vai decidir se Oliveira se desloca amanhã para lá.É a segunda vez que funcionários da Funasa são mantidos como reféns por causa deste convênio. A primeira foi em julho do ano passado, quando nove funcionários foram obrigados a ficar por quase uma semana na aldeia do Manga, dos índios caripunas, no Oiapoque. Os caripunas exigiam o repasse R$ 1,6 milhão, correspondente à primeira parcela do convênio, e só liberaram os reféns quando o depósito em nome da Apitu foi feito.

ALCINÉA CAVALCANTE, Agencia Estado

23 de outubro de 2007 | 21h24

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