Indústria de private equity ganha apoio do governo

Apex e ABVCap assinam convênio e garantem recursos para promover o setor no exterior nos próximos 2 anos

Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2009 | 00h00

A indústria brasileira de venture capital e private equity, ou de capital empreendedor, vem mostrando resultados vigorosos nos últimos anos. Desde 2004, o volume de recursos comprometido pelo setor cresce a uma taxa média de 53,4% ao ano, segundo dados do Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em junho de 2008, o capital investido por fundos em empresas de capital fechado nascentes ou em fase de expansão chegou a US$ 26,6 bilhões.

Um convênio assinado na semana passada entre a Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCap) e a Associação Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), do Ministério do Desenvolvimento, promete dar novo fôlego ao setor. Nos próximos dois anos, serão aplicados R$ 2,5 milhões em ações para atrair mais investimentos externos para a indústria. Hoje, cerca de metade do capital nela comprometido é estrangeiro.

As entidades planejam incluir o Brasil no circuito dos principais eventos mundiais do setor, especialmente nos países da Europa e Estados Unidos. Antes de partir para a prospecção, porém, o programa deve fazer um mapeamento dos potenciais investidores e um diagnóstico sobre essa indústria no País, identificando as principais oportunidades para os estrangeiros.

As ações para divulgar a indústria de private equity e venture capital nacional, que se desenvolveu no Brasil nos últimos dez anos, dependiam, até então, da iniciativa privada. Segundo o presidente da Apex, Alessandro Teixeira, o convênio visa dar sustentabilidade e planejamento às iniciativas do setor, que deve ser cada vez mais demandado nos próximos anos. "Esse investidor exige informação consistente e atualizada."

"O apoio do governo ocorre no momento certo", afirma o presidente da ABVCap, Luiz Eugênio Figueiredo. Segundo ele, a indústria brasileira de capital empreendedor tem despertado o interesse de fundos de diversos países. "Antes, íamos a eventos no exterior e só ouvíamos falar de Índia e China. Isso mudou."

Um sinal do apetite dos estrangeiros pelo setor está na chegada, nos últimos dois meses, de novos gestores de fundos de private equity (entidades que escolhem e administram os investimentos) ao País. Em setembro, o Bradesco e o Banco Espírito Santo se associaram em uma nova gestora, a 2bCapital. No mesmo mês, o Banco Pine, em parceria com o grupo Global Emerging Market, criou um fundo de US$ 250 milhões para investir em empresas brasileiras de médio porte. No início do mês, foi a vez do Banco BNP Paribas anunciar sua entrada no mercado brasileiro, ao lado do Darby, braço de private equity do grupo americano Franklin Templeton Investments.

A expectativa da ABVCap é que a participação dos estrangeiros na indústria alavanque o volume de capital comprometido no Brasil. Atualmente, ele representa 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB), menos da metade da média mundial, de 3,7%.

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