Indústria de SP demite 34 mil e humor segue caindo

O emprego na indústria paulista registrou em novembro os piores níveis desde pelo menos janeiro, levando o setor a cortar pela metade a projeção de crescimento para 2008, em um momento em que o humor do empresário continua se deteriorando para patamares recordes devido à crise mundial. A indústria fechou 34 mil postos de trabalho em novembro, uma queda de 0,19 por cento na comparação com outubro com ajuste sazonal --pior taxa desde janeiro-- e um recuo de 1,46 por cento sem ajuste --maior baixa desde dezembro--, informou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na terça-feira. Paulo Francini, diretor de pesquisas econômicas da entidade, reduziu sua projeção para o crescimento do emprego no ano de uma faixa de 2,5 a 3 por cento para 1,5 por cento, o equivalente à abertura de 35 mil a 40 mil vagas. "Há uma redução sazonal do emprego entre novembro e dezembro (principalmente de temporários contratados para a produção para o Natal e de demissões geradas pela entressafra da cana-de-açúcar), mas esse comportamento normal neste ano se junta a outro, que é a crise", afirmou Francini a jornalistas. "A situação foi amplificada pela crise. A redução do emprego está espalhada e isso é de se chamar a atenção." A Fiesp informou também que seu indicador Sensor --um índice antecedente que mede o sentimento do industrial sobre a atividade do setor-- recuou fortemente na primeira quinzena de dezembro. O índice caiu para 34,2 na primeira quinzena de dezembro --a pior leitura da série histórica iniciada em junho de 2006-- ante 42,5 em novembro. O dado segue desde outubro abaixo da marca de 50,0 que divide a contração do crescimento. "O Sensor indica um agravamento da situação da crise, uma sensação de redução mais profunda (da atividade)", disse Francini. "A crise já atingiu o Brasil e os efeitos (na indústria) estão no período inicial e esses efeitos podem se alargar." DEZEMBRO No ano, o emprego industrial acumula alta de 5,66 por cento, o equivalente a 123 mil novas vagas, e nos últimos 12 meses, de 2,16 por cento, com 47 mil postos. Isso significa que para atingir a projeção do ano de 1,5 por cento de alta, o número de dezembro terá que ser bem negativo. Segundo Francini, em dezembro haverá uma "grande queda" do emprego no setor de cana-de-açúcar. Em novembro, esse setor já demitiu, mas os destaques de queda do emprego foram generalizados. Dos 21 setores pesquisados, 14 tiveram demissões em novembro --nível mais elevado desde dezembro passado--, 5 registraram contratações e 2 ficaram estáveis. Os destaques negativos ficaram com Couros e artefatos de couro, artigos de viagem e calçados --com recuo do emprego de 3,3 por cento-- e Borracha e plástico, com declínio de 2,78 por cento. Esse último tem ligação com a indústria automotiva, uma das que vem sentindo com força os efeitos da crise no crédito brasileiro. (Edição de Alberto Alerigi Jr.)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.