Indústria de SP deve se recuperar após queda recorde em 2009

A atividade industrial paulista cresceu com força em dezembro, ajudando o setor a consolidar a previsão de que 2010 deixará totalmente para trás os efeitos da crise global que provocaram queda recorde em 2009.

VANESSA STELZER, REUTERS

28 de janeiro de 2010 | 17h45

A retomada se dará com base na demanda doméstica e também com mais exportações, num quadro de recuperação mundial.

O Índice de Nível de Atividade (INA) cresceu 2,4 por cento em dezembro sobre novembro, com ajuste sazonal, a maior alta desde setembro, informou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta quinta-feira.

Sem ajuste, o indicador caiu 7,6 por cento. Sobre dezembro de 2008, houve salto de 21,1 por cento --em grande parte devido à base fraca de comparação.

Em 2009 como um todo, a atividade teve queda de 8,5 por cento, a maior da série histórica iniciada em 2003, depois de subir 4,2 por cento em 2008.

Para 2010, Paulo Francini, diretor econômico da Fiesp, estima expansão de 13,5 por cento. Seria o segundo melhor desempenho da série, ficando atrás apenas do crescimento de 13,8 por cento visto em 2004.

"Setenta por cento desses 13,5 por cento, cerca de 9 pontos (percentuais), vêm de carregamento estatístico depois do recuo em 2009... (mas) os dados nos dão um horizonte de continuidade do que estamos vivendo, que é de recuperação", disse Francini.

Ele citou o Sensor da Fiesp, um indicador antecedente que mede o humor do empresário no mês corrente. O índice manteve-se acima da linha de 50 que divide o otimismo do pessimismo, marcando 53,9 pontos em janeiro, ante 50,7 em dezembro.

A Fiesp afirmou ainda que, apesar do forte crescimento visto no fim do ano passado, o setor não enfrenta pressões inflacionárias.

O nível de utilização da capacidade instalada, com ajuste sazonal, aumentou a 83,2 por cento em dezembro --ante 82,0 por cento em novembro e 78,2 por cento em igual período de 2008--, mas Francini avaliou esse patamar como confortável e disse que ainda há espaço para crescer sem pressionar preços.

SETORES

Em 2009, o destaque de queda entre os setores foi o de Máquinas e equipamentos, com 25,2 por cento. A partir de meados do ano, no entanto, esse segmento --que é um termômetro dos investimentos industriais-- já começou a esboçar recuperação, crescendo 2,8 por cento em dezembro sobre novembro, com ajuste sazonal.

"(O setor de) Máquinas e equipamentos foi fortemente afetado pela crise... Há uma melhora mais no fim do ano da visão do empresário sobre o futuro", disse Francini.

Por outro lado, Alimentos e Bebidas passaram sem arranhões pela crise, fechando 2009 com crescimento de 7,4 por cento. Esse segmento depende mais da renda do consumidor e não do crédito, que foi mais afetado pela turbulência global.

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