Indústria de SP inicia ano com humor ruim e estoque

A atividade da indústria paulista teve um sucessão de recordes negativos no fim de 2008, fazendo a expansão do ano frustrar as expectativas. E, sem sinais de arrefecimento dos efeitos da crise mundial, o setor seguiu com humor ruim e estoques excessivos em janeiro. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) informou nesta quarta-feira que a atividade caiu 5,2 por cento em dezembro ante novembro, com ajuste sazonal, e 9,6 por cento sobre igual mês de 2007. No quarto trimestre, a queda foi de 10,2 por cento. Foi o pior dezembro com ajuste da série histórica iniciada em 2002 e o pior mês desde abril de 2006. O resultado de outubro a dezembro também foi o mais baixo da série para um trimestre. "Um grande números de montadoras e empresas de autopeças anunciou férias coletivas e isso reduziu drasticamente a produção", disse Paulo Francini, diretor econômico da Fiesp, citando que a atividade de Veículos automotores caiu quase 20 por cento no bimestre novembro/dezembro. O segmento de veículos vem sofrendo queda das exportações, devido a uma desaceleração econômica mundial, e das vendas internas, em razão da deterioração do crédito. Outro setor que sentiu fortemente os efeitos da crise mundial foi Máquinas e equipamentos, com recuo de 7 por cento em dezembro sobre novembro, com ajuste. Em 2008 como um todo, a atividade cresceu 4,8 por cento, abaixo da expansão de 6,1 por cento de 2007 e da previsão de Francini de alta entre 6,5 e 7 por cento. JANEIRO FRACO A Fiesp informou ainda que sua pesquisa Sensor --um índice antecedente que mede o sentimento do industrial-- manteve-se em janeiro abaixo da linha de 50, que divide o pessimismo do otimismo. O indicador subiu para 38,9 pontos na segunda quinzena de janeiro, ante 35,1 pontos no fechamento de dezembro, mas caiu em relação à primeira leitura do mês, que havia sido de 43,5 pontos. "O Sensor indica continuidade da queda da atividade, das vendas e do emprego... Você não está enxergando um guindaste para te erguer à frente", disse Francini. "Ele também indica que as empresas estão com estoque excessivo, o que significa que precisarão produzir menos para atender a demanda." Todos os cinco componentes do Sensor --mercado, vendas, estoque, emprego e investimento-- mantiveram-se abaixo dos 50 pontos e apresentaram queda na segunda quinzena do mês sobre a primeira. A Fiesp divulgou também que as vendas reais da indústria declinaram 1,3 por cento em dezembro sobre novembro, sem ajuste sazonal, encerrando o ano com alta de 4,1 por cento. O uso da capacidade instalada atingiu 80,3 por cento em dezembro do ano passado, ante 81,6 por cento em novembro e 83,8 por cento em dezembro de 2007. (Edição de Alexandre Caverni)

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