Indústria de SP tem queda recorde, mas aponta retomada

A indústria paulista registrou derrapada recorde de 14,1 por cento no primeiro semestre deste ano por conta da crise global, mas dados mais recentes da atividade e da confiança do empresário apontam que uma recuperação já está em curso.

DANIELA MACHADO, REUTERS

29 Julho 2009 | 14h58

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) informou nesta quarta-feira que seu índice de atividade (INA) cresceu 2 por cento em junho frente a maio, com ajuste sazonal.

Além disso, o Sensor da indústria --um termômetro do humor dos empresários-- subiu para 53,9 pontos na segunda quinzena de julho, melhor patamar desde setembro do ano passado, mês em que a crise externa se agravou com o colapso do Lehman Brothers.

"O pior da crise para o Brasil já aconteceu", afirmou Paulo Francini, diretor econômico da Fiesp, para quem a economia brasileira deve se contrair cerca de 0,5 por cento este ano.

"Se este for o preço da crise no Brasil, eu diria que o país está pagando um preço baixo se comparado a outros países."

A Fiesp mantém a estimativa de retração entre 7 e 8 por cento da atividade industrial de São Paulo em 2009. "O número acumulado no ano até agora (primeiro semestre) é de queda de 14 por cento e, se isso diminuir para 8 por cento, vai ser um sucesso", acrescentou Francini.

Na comparação com junho de 2008, a atividade industrial paulista caiu 12,8 por cento. Nos últimos 12 meses, o índice acumula queda de 6,8 por cento.

A Fiesp informou também que o nível de utilização da capacidade instalada ficou em 80 por cento em junho, praticamente estável em relação a maio, mas em queda frente aos 83,4 por cento de junho de 2008.

Entre os setores pesquisados, o de Máquinas e equipamentos foi um dos destaques, com crescimento de 4,6 por cento em junho ante maio, com ajuste. Já em relação ao ano passado, o setor apresentou um tombo de 29,2 por cento.

"Esperamos que a recuperação desse setor possa se acentuar no segundo semestre, com a regulamentação de regras do governo que permitem taxas menores na aquisição de bens de capital", disse Francini.

O setor de Veículos automotores teve alta de 3,9 por cento sobre maio, mas queda de 17,2 por cento sobre 2008.

CONFIANÇA E SUPERMERCADOS EM ALTA

Outro dado divulgado nesta manhã mostrou que a confiança da indústria de transformação subiu em julho pelo sétimo mês seguido.

O índice da Fundação Getúlio Vargas (FGV) passou para 99,4 pontos, maior patamar desde outubro do ano passado. Apesar de permanecer abaixo dos 119,2 pontos registrados em agosto de 2008, antes do aprofundamento da crise internacional, o indicador encontra-se próximo da sua média histórica desde 1995.

"Nos primeiros três meses do ano, a evolução foi motivada pela retomada da confiança no segmento automotivo, associada à estabilidade, em níveis muito baixos, dos indicadores de confiança dos outros segmentos industriais. A partir de abril, o indice avançou de forma mais rápida e consistente, espalhando-se entre os setores", notou a FGV.

Em outro sinal de que o pior pode já ter passado, a Associação Brasileira dos Supermercados (Abras) elevou a previsão de vendas neste ano, depois de um desempenho positivo registrado na primeira metade do ano.

A entidade espera agora expansão de 4,5 por cento das vendas em 2009, frente a previsão anterior de 2,5 por cento.

"As vendas no primeiro semestre continuaram em um patamar elevado. Isso nos deixa otimistas para revisar para cima a expectativa para o setor em 2009, principalmente porque o cenário econômico melhorou consideravelmente", avaliou em nota o presidente da associação, Sussumu Honda.

(Com reportagem adicional de Paula Laier e Stella Fontes)

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