Indústria vê aumento na safra de laranja de SP em 2011

Ainda que seja pequeno, haverá crescimento na próxima safra de laranja de São Paulo, avaliou o presidente-executivo da CitrusBR, a associação dos exportadores de suco do Brasil.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

23 de dezembro de 2010 | 15h34

O aumento na produção deverá ocorrer após o Estado, que responde por cerca de 85 por cento da produção do Brasil, ter colhido em 2010 o menor volume desde 2003, segundo fontes da indústria.

"Acho que vai ser pouco maior no Brasil..., pior (que 2010 a safra) não vai ser", declarou Christian Lohbauer, em entrevista à Reuters.

Ele ressaltou que previsões mais precisas sobre a produção no maior exportador mundial de suco de laranja só poderão ser obtidas ao final de janeiro, quando ficarão mais claros os resultados das últimas floradas para a nova safra, ocorridas em dezembro.

A última colheita paulista foi estimada pelo Ministério da Agricultura em 292,7 milhões de caixas de 40,8 kg, na primeira estimativa do governo federal para a produção do Estado, que apontou um número semelhante ao da indústria, considerando que quase 50 milhões de caixas são destinadas ao mercado in natura.

"Ano passado choveu muito e este ano teve seca, mas a florada foi melhor. Ano passado teve estrelinha (doença fúngica), caiu muito chumbinho (frutos em estágio inicial), então a safra de 2010 foi menor, por isso os preços que se pagaram na laranja...", declarou Lohbauer.

No mercado "spot" houve pico de negócios em São Paulo a até 17 reais por caixa neste ano, contra 3,5 reais do valor mais baixo registrado no ano passado, uma disparidade de preços que o setor tenta evitar nos próximos anos com a implantação de uma entidade formada por produtores e indústria (Consecitrus) que poderia ocorrer em 2011, segundo o executivo.

"Existe um movimento genuíno de organização da cadeia, o que significa harmonizar o comércio da fruta, evitar picos e quedas", afirmou ele, acreditando que o chamado Consecitrus só deve começar a funcionar efetivamente em 2012.

Em 2009, quando os preços atingiram aquele patamar baixo, a safra paulista foi estimada pelo governo do Estado em 355 milhões de caixas.

EXPORTAÇÕES

Para 2011, as exportações de suco de laranja do Brasil deverão ficar praticamente estáveis em relação ao volume de 2010 em equivalente em produto congelado concentrado.

"Este ano deve fechar muito próximo a 2008 e 2009. 2008 foi 1,291 (milhão de toneladas), 2009, 1,301 milhão. E este ano devem ser bem parecido, próximo a 1,3 milhão... 2011 vai ser um ano bem parecido com este, talvez um pouco menos de valor no suco, mas em tonelada bem parecido", declarou Lohbauer.

Em valores, segundo o executivo, a expectativa é de que o Brasil feche 2010 com exportações de suco de laranja um pouco superiores a 2 bilhões de dólares --contra 1,6 bilhão em 2009--, ligeiramente acima da previsão inicial, em meio a bons preços no mercado internacional.

O melhor resultado histórico na exportação de suco do Brasil foi registrado em 2007, quando o país registrou vendas de 2,250 bilhões de dólares, exportando um recorde de 1,4 milhão de toneladas de suco de laranja congelado e concentrado, disse o representante da CitrusBR, cujo setor ganhou preliminarmente nesta semana uma disputa contra os EUA na Organização Mundial de Comércio.

"Em 2011, entre fevereiro e junho deve sair a conclusão do contencioso. E o Brasil deve ganhar, mas isso não reverte em aumento de exportação, isso só ajuda a acabar com essa insegurança que existe na aplicação das regras de dumping", disse ele, lembrando que os EUA já perderam disputas semelhantes na OMC.

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