Inep recorre a empresas para evitar falhas no próximo Enem

O Inmetro acompanha a impressão e uma companhia de gestão de riscos checa lista de quase 1,3 mil itens

Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2011 | 00h00

Após duas edições problemáticas, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) recorreu ao Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) e a uma empresa de gestão de riscos para evitar a repetição de falhas na aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em 22 e 23 de outubro.

Além de minimizar os riscos quanto à credibilidade da prova, a medida é uma forma de blindar o ministro da Educação, Fernando Haddad, de maiores danos à sua imagem. A gestão do petista já foi marcada por polêmicas como kit anti-homofobia, erros de revisão de material didático e pelo vazamento do Enem, revelado pelo Estado em 2009. Eventuais infortúnios na organização do exame podem ser o calcanhar de Aquiles nas pretensões de Haddad à Prefeitura de São Paulo.

As medidas adotadas pelo Inep atendem à Controladoria-Geral da União, que apontou em auditoria que provas como o Enem e o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) "carecem de estudos que possibilitem a implementação de respostas" a riscos e a adoção de medidas para mitigá-los.

Uma equipe de dez pessoas do Inmetro está em campo na gráfica RR Donnelley para acompanhar o Enem 2011, informou o diretor da Coordenação-Geral de Acreditação, Marcos Aurélio Lima. "Vamos fazer um acompanhamento de três etapas: a impressão dos cadernos, o manuseio deles e a distribuição. Estamos de olhos atentos", disse ele ao Estado. Na prova passada, houve falhas na encadernação, assumidas pela empresa.

O trabalho do Inmetro envolve monitorar as etapas de produção do exame, entrevistar os responsáveis, elaborar relatórios e discutir o que foi verificado, a um custo de R$ 167 mil, segundo a assessoria do Inep. "Queremos elaborar ao Inep uma proposta de monitoramento de toda a cadeia de processo do Enem, de forma que o resultado final desse processo seja muito melhor do que é hoje. O objetivo é que o Enem se consolide cada vez mais", afirmou Lima.

Por pregão eletrônico, foi contratada a empresa de gestão de riscos Módulo, responsável pela elaboração de uma lista de 1.276 itens de todas as etapas do exame, incluindo a elaboração da matriz - no ano passado, a prova teve cabeçalhos trocados, o que provocou confusão no preenchimento dos gabaritos e fez o Inep abrir um sistema de solicitação de correção invertida.

Segundo informou a assessoria do Inep, cerca de 50% dos itens já foram executados para o Enem 2011. A impressão das provas começou em 5 de agosto.

Silêncio. Procurada pela reportagem para comentar o trabalho prestado ao Inep, a Módulo não quis se pronunciar, alegando "razões contratuais". O valor previsto para o serviço de gestão de riscos é de R$ 5 milhões, "mas somente ao final, com a conclusão de todas as etapas, será possível contabilizar o valor de toda operação assistida", disse o Inep.

Na gráfica RR Donnelley, as condições de segurança previstas no edital de 2010 foram mantidas - entre elas, vigilantes posicionados a cada 100 metros quadrados na área de impressão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.