Gero Breloer/AP
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Infectados por ''E. coli'' precisarão de diálise ou rim novo

Segundo especialista alemão, cerca de cem pessoas que pegaram a bactéria tiveram seus [br]rins comprometidos

, O Estado de S.Paulo

14 Junho 2011 | 00h00

BERLIM - Karl Lauterbach, um renomado especialista em saúde ligado ao Partido Social-Democrata alemão - de oposição ao governo de Angela Merkel -, afirmou que cerca de cem pessoas infectadas no país por uma cepa agressiva da bactéria E. coli precisarão de transplante de rim ou terão de ser submetidos a hemodiálise pelo resto da vida.

 

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Na sexta-feira, cientistas do governo terminaram com semanas de incerteza quanto à origem do surto - que matou pelo menos 36 pessoas - ao anunciar que a bactéria foi encontrada em brotos de feijão cultivados em uma fazenda em Bienenbüttel, no Estado da Baixa Saxônia.

O anúncio diminuiu o medo entre a população, que deixou de comprar produtos rurais suspeitos de transmitirem o micro-organismo, e os fazendeiros, que sofreram grandes prejuízos econômicos. O governo chegou a orientar os alemães a não comer pepinos, tomates e alfaces - recomendação que já foi retirada.

A crise gerou uma disputa dentro da União Europeia entre os países prejudicados pela crise - em especial a Espanha, cuja produção de pepinos no sul do país foi inicialmente acusada pelos alemães de ser a fonte da bactéria. A UE ofereceu, a princípio, 150 milhões (R$ 345 milhões), mas, após críticas, aumentou esse valor na semana passada para 210 milhões (R$ 482 milhões).

A notícia, porém, não é um grande alívio às mais de 3 mil pessoas que foram infectadas, especialmente a cerca de 25% desses pacientes, que desenvolveram uma complicação severa, chamada síndrome hemolítico-urêmica (SHU), que afeta o sangue, os rins e o sistema nervoso.

Além de calcular em cem o número de pessoas que tiveram seus rins comprometidos de forma definitiva, Lauterbach, em entrevista ao jornal Bild am Sonntag publicada anteontem, disse que essa cepa mais perigosa da bactéria não apenas deve provocar novos surtos de infecções na Alemanha como deve se tornar mais comum em todo o mundo.

 

O especialista também afirmou que o comitê de assuntos relacionados à saúde no Parlamento alemão deveria abrir um inquérito para investigar a forma como a crise foi administrada pelo governo, criticado internacionalmente por ter demorado para responder ao surto.

No futuro, reforçou, clínicas deveriam ser obrigadas a reportar todos os casos de infecção por esse tipo de E. coli, por e-mail, ao Instituto Robert Koch, a agência de controle e prevenção de doenças, em vez de apenas às autoridades locais - processo que leva uma semana.

O ministro da Saúde, Daniel Bahr, prometeu revisar o sistema de gerenciamento de doenças, após críticas de que há excesso de burocracia e fragmentação entre agências regionais e nacionais.

Colômbia. A suspeita de que uma pessoa hospitalizada há quase um mês no noroeste da Colômbia teria sido infectada pela cepa perigosa da E. coli foi afastada ontem pelas autoridades de saúde do país.

Segundo Juan Gonzalo López, diretor do Instituto Nacional de Saúde, trata-se de "cepas totalmente diferentes", porque o paciente não esteve na Alemanha nem teve contato com alemães, além de não ter consumido produtos vindos de lá. "A E. coli é uma bactéria que está presente em todos os animais, no homem. Em muitos casos ela é normal e algumas cepas são agressivas", explicou.

José Luis Rodríguez Hernández, de 43 anos, está hospitalizado com diarreia desde 23 de maio na cidade de Montería, a cerca de 500 quilômetros de Bogotá. O paciente trabalha para a secretaria de Saúde da cidade, fiscalizando estabelecimentos que vendem remédios e outros produtos.

O Ministério da Saúde afirmou que nenhum caso de infecção pela bactéria que provocou a crise na Alemanha foi detectado. / DER SPIEGEL, com AP

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