Inflação assusta mais emergentes que crise dos EUA, diz 'WSJ'

Jornal diz que a inflação voltou a assustar os mercados emergentes.

Da BBC Brasil, BBC

24 de abril de 2008 | 05h35

A inflação representa uma ameaça maior do que os efeitos da crise americana para os países emergentes, segundo afirma uma reportagem publicada na edição desta quinta-feira do Wall Street Journal. "Por causa dos a vários anos de forte crescimento econômico, os mercados emergentes domaram muitos dos seus velhos demônios. Agora, um antigo inimigo volta para assustar esses países: a inflação", diz o texto. O diário americano cita os esforços dos bancos centrais do Brasil e da Índia para tentar conter a inflação. Entre as medidas, o WSJ cita o primeiro aumento em três anos da taxa básica de juros, a Selic, anunciado na semana passada pelo Banco Central brasileiro, e o aumento na proporção dos depósitos que os bancos indianos poderão manter em reserva. "A inflação é um desafio especialmente para os países em desenvolvimento, porque grande parte da população é sensível às mudanças nos preços. Mudanças no custo da alimentação, em particular, são questões que colocam dinamite na política", afirma o WSJ. Segundo o jornal, a China e o Vietnã estão tentando combater a alta dos preços há mais de dez anos e Índia, África do Sul, Rússia e grande parte da América Latina também estariam enfrentando uma ameaça crescente de alta de preços. RiscoA reportagem afirma que a inflação nos países emergentes tende a assustar os investidores e prejudicar a cotação das ações e dos títulos.O jornal comenta uma declaração feita em um relatório dos analistas econômicos do Barclays Capital, que afirma que "não é a melhor hora para investir agressivamente nos mercados emergentes".Segundo o relatório, o risco estaria relacionado com "as pressões inflacionárias crescentes e as mudanças em potencial da política monetária". "A questão é se as pressões inflacionárias atuais nos mercados emergentes - especialmente o aumento nos preços de mercadorias como o arroz e a soja - são um fenômeno passageiro", sugere o WSJ. A reportagem conclui com uma afirmação do economista do Banco Asiático de Desenvolvimento Ifzal Ali. Segundo ele, "a era do crescimento alto e da inflação baixa ao qual nos acostumamos já acabou". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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