Informal, papa vai ao encontro de fiéis

Francisco abraça populares ao sair de igreja; Vaticano diz que encontro era previsto

CIDADE DO VATICANO, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2013 | 02h05

Minutos antes de realizar seu primeiro sermão de Angelus, a oração pública das 12h de domingo na Praça São Pedro, o papa Francisco deu mais uma demonstração de que pretende se manter próximo à população durante o seu pontificado - e dar trabalho extra para os seguranças. Em uma das entradas do Vaticano, ele saiu de uma pequena igreja onde havia participado de uma missa e se dirigiu a fiéis, cumprimentando-os com informalidade.

O Estado apurou, no entanto, que a quebra de protocolo não foi improvisada - o público que o aguardava já havia sido previamente informado pela segurança de que o sucessor de Bento XVI passaria por ali e iria em seu encontro. Seja como for, a segurança papal teve trabalho para conter a empolgação das pessoas - freiras, turistas e religiosos que se concentravam no local. A reação causou impacto: o mundo inteiro viu um papa que aparentemente quebra protocolos e ganha carinho do povo.

A cena do cumprimento previamente acertado foi encampada pelo Vaticano, que vê a informalidade do papa Francisco como uma forma de associá-lo a uma imagem positiva da Igreja, apesar da preocupação com sua segurança. "Esse é o novo estilo do papa e vamos nos adaptar", disse ao Estado o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi. Para amanhã, na cerimônia de entronização, a polícia de Roma já fala na possibilidade de que 1 milhão de pessoas saiam às ruas.

Outra medida tomada pelo Vaticano para criar um ambiente mais informal foi retirar dos alto-falantes na Praça São Pedro os cânticos gregorianos que marcaram os últimos dias. No lugar disso, a multidão escutou um locutor que explicava ao público a agenda de Francisco, seus próximos encontros e até a visita que ele fará a Bento XVI em uma semana. O locutor ainda anunciou que o papa Francisco viajará em julho para a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro e citou fato de que "será a mesma cidade que receberá a Copa do Mundo" de 2014.

Homilia. A manhã de Francisco começou com uma missa na paróquia de Santa Ana, do Vaticano, que estava abarrotada de fiéis. Depois de ser recebido pelo cardeal Angelo Comastri, pároco local, o papa fez uma homilia muito semelhante à que faria minutos depois em Ângelus, evocando a parábola da mulher adúltera e a necessidade de perdão e misericórdia.

A quebra do protocolo aconteceu em seguida, na Rua Porta Angélica, um dos acessos oficiais do Vaticano. Quando o pontífice saiu da igreja, a multidão foi ao delírio, espremendo-se contra as barreiras de segurança para tocar em Francisco. Sorrindo e bem disposto, o papa distribuiu apertos de mão aleatoriamente, atendo-se um tempo maior sempre que encontrava religiosos que reconhecia.

Conquista. Entre os fiéis, havia quem chorasse e quem gritasse, emocionado. A alguns metros dali, mais de 150 mil pessoas - segundo estimativas do Vaticano - tomavam a Praça São Pedro e ruas adjacentes à espera do papa. "Em três dias ele conquistou mais as pessoas do que Bento XVI em sete anos. Ele é mais carismático, mais humilde", disse Genésia Brunelo, brasileira radicada na Itália há 25 anos. "A Igreja é humildade, mas estava muito longe do povo. Francisco parece estar mais perto. A Igreja é o povo, e ele é a Igreja", acrescentou.

Outra brasileira, Neuza Santos, 53 anos, dona de casa, aguardava o sermão de Ângelus na Praça São Pedro com uma bandeira do Brasil, com a qual acenava ao papa. "Um papa que renuncia à cruz de ouro por uma cruz de ferro, que abre mão da mozeta e que vai pagar a conta da hospedaria é grande. É um mito", disse Neuza. "Eu estava torcendo para que o papa fosse brasileiro, o que seria muito lindo. Mas Francisco foi a escolha certa."

Gustavo Barbaro, argentino filho de italianos de 29 anos, também o aguardava. Trabalhador da indústria da moda, tinha viagem marcada a Roma, mas antecipou para cerimônia de Angelus e a posse do papa, na terça-feira. "Foi uma ótima escolha. É um papa muito bom, muito humilde, que sempre se preocupou muito com o pobres em Buenos Aires", testemunhou. / ANDREI NETTO e JAMIL CHADE

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