ING vai dividir negócios e vender sua área de seguros

Banco holandês detém 36% do capital da seguradora brasileira Sul América

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

27 de outubro de 2009 | 00h00

O grupo financeiro holandês ING vai se dividir em dois, separando as operações bancárias e de seguros, como parte de um acordo de reestruturação com a Comissão Europeia. "Todas as atividades de seguros e de gestão de investimentos serão vendidas", informou o ING, em fato relevante. "Os recursos obtidos com os desinvestimentos das operações de seguros serão usados para reduzir a alavancagem e para pagar o governo holandês", segundo a instituição.

O ING detém, por meio do ING Insurance International, participação de 36% do capital da seguradora brasileira Sul América. O ING também informou que vai pagar 50% da ajuda que recebeu do governo holandês e aumentar o capital em 7,5 bilhões (o equivalente a US$ 11,25 bilhões).

"Acredito que a cisão dos ativos é um bom movimento, que simplifica o ING", disse o analista Paul Beijsens, da Theodoor Gilissen. A separação dos ativos, que deverá ocorrer até 2013, deixará o balanço do ING cerca de 30% menor do que o tamanho de antes do socorro recebido do governo da Holanda. O ING disse que vai "focar predominantemente na Europa, com opções seletivas de crescimento em outros lugares".

O acordo de reestruturação é o mais recente exemplo das intenções da Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, para com os bancos que receberam ajuda estatal. Um plano de resgate para o segundo maior banco alemão, o Commerzbank, em maio, estabelecia que a instituição precisaria diminuir seu balanço em 45%.

ATIVOS À VENDA

Segundo o ING, a venda das operações de seguro serão completadas até 2013 por meio de vendas ou ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês). Em teleconferência, o presidente executivo do ING, Jan Hommen, disse que seria interessante fazer um IPO para os negócios globais de seguros.

O ING também vai separar algumas operações de hipotecas na Holanda em uma nova companhia, que terá cerca de 6% de participação de mercado no país.

A empresa já fez uma série de desinvestimentos neste ano, incluindo os negócios de gestão de fortunas na Suíça, na Austrália, na Nova Zelândia e em algumas localidades da Ásia.

O ING espera devolver ao governo holandês 5 bilhões dos 10 bilhões que recebeu em outubro de 2008 em meio à crise global de crédito para recompor seu capital.

BRASIL

O vice-presidente de Relações com Investidores da Sul América, Arthur Farme d"Amoed Neto, disse ao Estado que a informação divulgada ontem é fruto de "uma decisão do ING com a Comissão Europeia". "É um plano de reestruturação (deles)", afirmou. Segundo ele, por enquanto, não há nenhuma consequência para a Sul América. "Qualquer questão que diga respeito à Sul América é mera especulação", afirmou.

Por isso, ele não quis comentar a possibilidade de a Sul América comprar a participação do ING. Segundo um analista de mercado, é praxe, nessas ocasiões, que o acionista que vai deixar o negócio ofereça sua participação, em primeiro lugar, aos sócios.

A Sul América perdeu recentemente uma concorrência para se tornar parceira preferencial do Banco do Brasil na área de seguros. A instituição controlada pelo governo está reestruturando o segmento. No início do mês, o BB anunciou uma parceira estratégica com a espanhola Mapfre.

Por causa do acordo, que prevê exclusividade, o BB acertou com a Sul América a compra da Brasilveículos, empresa na qual eram sócios. Ainda falta resolver o que ocorrerá com a Brasilsaúde, que também é gerida em conjunto pelas duas instituições. O mercado especula que a Sul América deve ficar com essa empresa, mas, em declarações recentes, d"Amoed Neto negou.

As ações da Sul América subiram ontem 3,98% na Bolsa de Valores de São Paulo. COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

NÚMEROS

36%

é a participação que o ING Insurance International detém do capital da seguradora brasileira Sul América

7,5 bilhões

é quanto o ING informou que vai aumentar seu capital

(o equivalente a US$ 11,25 bilhões)

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