Ingresso de dinheiro reativa a economia haitiana

Há filas para receber remessas do exterior, enquanto alguns produtos voltam a circular no porto

Lourival Sant'Anna, O Estadao de S.Paulo

23 de janeiro de 2010 | 00h00

Passado o primeiro choque causado pelo terremoto do dia 12 e os esforços para retirar sobreviventes dos escombros, o governo haitiano e a comunidade internacional passam a um segundo estágio, de tentar fazer a economia do país voltar a funcionar para reduzir a dependência da ajuda humanitária e facilitar a mobilização de recursos para a reconstrução.

Os bancos comerciais estão sendo reabertos para que os correntistas possam sacar dinheiro e atender as próprias necessidades. Algumas agências de transferência de dinheiro - pelo menos as que não foram destruídas pelo terremoto - voltaram a funcionar na quinta-feira, injetando dinheiro na economia.

Segundo o presidente do Conselho de Administração da Associação Profissional de Bancos (APB), Maxime Charles, junto ao comércio e à indústria manufatureira, as remessas representam 25% do PIB haitiano. Para facilitar o fluxo de fundos, algumas companhias decidiram suprimir temporariamente as despesas de envio, procedentes em sua maioria dos EUA.

Ontem, em muitas agências viam-se pequenas filas de gente que esperava para receber seu dinheiro. O ministro das Finanças, Ronald Baudin, anunciou que o Banco Central voltará a funcionar na segunda-feira. A reabertura progressiva das agências bancárias será feita sob a vigilância dos militares da ONU.

Durante os primeiros dias, o público poderá retirar até US$ 2.500, quantia que será progressivamente ampliada. O objetivo da limitação é levar o serviço ao maior número de clientes.

O presidente René Préval firmou ontem com o chanceler da República Dominicana, Carlos Morales Troncoso, um acordo de passagem livre dos produtos entre os dois países vizinhos, sem barreiras alfandegárias.

A destruição do porto pelo terremoto tornou a fronteira dominicana a principal saída e entrada de produtos no país. Ontem, com alguns reparos feitos no porto, foi possível reativar o movimento de ajuda e um barco holandês descarregou água, suco e leite.

O ex-ministro das Finanças Daniel Dorsainvil calcula que o terremoto tenha causado uma perda equivalente à metade do PIB do Haiti. As dificuldades causadas pela falta de dinheiro e pelos prejuízos materiais são agravadas pelo desabastecimento, que causou a duplicação dos preços.

O galão (3,5 litros) de gasolina subiu de 200 gourdes (US$ 5) para 400 gourdes (US$ 10), provocando o aumento dos preços dos transportes. Os tradicionais tap tap, espécie de lotação, passaram a cobrar 25 gourdes (US$ 0,62) por trajetos na cidade que antes custavam 10 gourdes (US$ 0,25). O quilo do arroz saltou de 23 gourdes (US$ 0,57) para 45 gourdes (US$ 1,12). São preços muito altos para um país em que 80% da população estava desempregada antes do terremoto. COM EFE

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