Ingrid Betancourt diz que a Colômbia está isolada na região

Ex-refém das Farc afirma que o governo colombiano só pode contar com o Peru na América do Sul

Da BBC Brasil, BBC

08 Julho 2008 | 09h57

A ex-refém do grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia Farc)  Ingrid Betancourt disse que "a Colômbia está isolada na região" e que "não teria votado em (Álvaro) Uribe" por causa de suas diferenças políticas com o presidente da Colômbia.  Em entrevista exclusiva à BBC, em Paris, a ex-refém disse que a Colômbia pode contar apenas com o Peru, presidido por Alan García. Mas fora isso, a Colombia "está isolada na região".   Veja também: França teria pago por libertação de Ingrid em 2003, diz TV Ingrid tentou fugir para o Brasil a nado, diz ex-refém Uribe ganha apoio para 3º mandato  O drama de Ingrid Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região    Cronologia do seqüestro de Ingrid Betancourt Leia tudo o que foi publicado sobre o caso Ingrid Betancourt O seqüestro de Ingrid Betancourt  "Há vezes em que a Colômbia vai na contramão em relação aos demais países da América Latina porque a situação da Colômbia é diferente da de todos os demais. É o único país que tem guerrilha e por isso estamos na extrema direita". "Quem elegeu Uribe foram as Farc. Se não existissem as Farc, não existiria Uribe. Os colombianos votaram em Uribe porque estão até o pescoço com as Farc." Ingrid afirmou que tem uma divergência "fundamental" com o Uribe: a natureza da guerrilha. "Uribe concebe o problema colombiano como uma crise de violência, de segurança, e esta crise de segurança, esta violência, é o que cria um mal-estar social. Eu penso o contrário. Eu penso que é porque há um mal-estar social que há violência. Estas interpretações diferentes fazem com que as políticas para atacar o problema sejam diferentes." A ex-refém não descartou uma possível candidatura à Presidência. "A verdade é que penso que os espaços têm que se abrir naturalmente. Se vejo em algum momento que é bom para a Colômbia que eu esteja aí, estarei." Ideologicamente "sempre serei de esquerda", disse Ingrid. A pessoa "tem que estar onde as pessoas sofrem, onde pode fazer a diferença". Para ela, "as Farc não são de esquerda. A mim, me parece que são da extrema direita de alguma esquerda de um tempo pré-histórico. Mas de esquerda não são". Hugo Chávez Ingrid Betancourt fez um pedido ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e ao do Equador, Rafael Correa, em tentativas de mediação junto às Farc para a libertação de reféns. "Não me importa que Chávez tenha contato com as Farc, se este contato com as Farc faz com que Chávez tenha influência sobre eles e que, através desta influência possa convencê-los a libertar meus companheiros." "A única coisa que peço a Chávez e a Correa é que entendam que as mudanças na Colômbia sejam feitas por via democrática e que eles têm que contar com o presidente da Colômbia." A ex-refém disse que não foi bom que "Chávez tenha começado a vociferar e a utilizar um vocabulário que depois acabou com a possibilidade de qualquer tipo de comunicação com Uribe". "Acredito que nisso Chávez se equivocou." Mas a ajuda do presidente venezuelano ainda é valiosa na opinião da ex-refém. "Ficaram outros e, de todas as formas, vamos continuar precisando de Chávez e então precisamos que se volte a fazer estas pontes." Em uma outra entrevista a uma emissora à Rádio França Internacional, Ingrid disse que o governo colombiano deveria abrir mão do "vocabulário de ódio" contra os seus seqüestradores. A ex-refém quer que as autoridades adotem um tom mais conciliatório para com as Farc para conseguir a libertação de mais pessoas que estejam nas mãos do grupo guerrilheiro. As Farc, em luta contra o Estado colombiano há quatro décadas, mantém até 700 reféns em seu poder.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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