Inmetro já prevê corrida tecnológica

'Fabricante tentará ampliar linha de produtos eficientes'

Andrea Vialli, O Estadao de S.Paulo

30 Outubro 2009 | 00h00

A manutenção da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para eletrodomésticos de baixo consumo de energia vai estimular a produção de aparelhos mais eficientes. De acordo com Gustavo Kuster, gerente da divisão de programas de avaliação da conformidade do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), entidade responsável pela realização dos testes que classificam os eletrodomésticos em cinco classes de consumo, haverá uma corrida tecnológica entre os fabricantes para atenderem aos padrões de menor consumo de energia.

Atualmente os eletrodomésticos são classificados em cinco classes de consumo - do A (mais eficiente) ao E (menos eficientes). Do total de refrigeradores produzidos no País, 76% são classificados dentro do padrão A e B. No caso das lavadoras de roupa, 50% são classificadas entre as mais eficientes em consumo de eletricidade e, entre os fogões, 60% correspondem às faixas de consumo A e B. O Inmetro avalia também outros aspectos dos eletrodomésticos, como gasto de água, no caso das lavadoras e eficiência dos queimadores, no caso dos fogões. No entanto, a redução do IPI tem base apenas no consumo de energia elétrica dos equipamentos.

"Hoje a maioria dos eletrodomésticos vendidos no País já atende às classes de menor consumo de energia, mas a manutenção do imposto reduzido vai tornar o preço dos produtos de classe A, mais eficientes, muito próximo do preço dos produtos de classe E, menos eficientes", disse Kuster. Hoje a diferença de preço entre as classes de consumo pode chegar a até R$ 100, no caso de refrigeradores.

"A medida é inovadora e vai beneficiar o consumidor, que terá acesso a produtos que poderão fazer diferença na conta de energia", afirmou Kuster. Segundo o gerente do Inmetro, ainda são poucos os países que condicionam a redução de impostos à eficiência energética dos produtos - um deles é a Alemanha. Sua opinião é compartilhada por Maria Inês Dolci, coordenadora da ProTeste, entidade de defesa do consumidor. "É importante que as classes C e D tenham acesso aos produtos mais eficientes, hoje consumidos pelas classes mais ricas", afirmou.

A ex-ministra do Meio Ambiente e senadora Marina Silva (PV-AC) também avaliou como positiva a iniciativa da Fazenda de condicionar a redução do IPI a produtos mais eficientes. Ela ponderou, no entanto, que a medida não deveria ficar restrita a três meses. "É uma iniciativa positiva, mas temos de sair das ações pontuais. No âmbito de uma reforma tributária, têm de ser pensados meios para incentivar as tecnologias limpas."

CERTIFICAÇÃO

Para receber o selo de eficiência energética, os produtos são divididos em categorias, de acordo com tamanho e atributos. Depois, são testados em relação ao consumo de energia, de acordo com parâmetros internacionais estabelecidos pela ISO, entidade global de padronização. Após os testes, as informações são processadas em um modelo matemático, que classifica os produtos conforme a eficiência.

Os testes são refeitos a cada seis meses, para contemplar atualizações tecnológicas e para incluir também os novos produtos lançados pelo mercado. "Quando o consumidor escolhe um produto A, ele pode ter certeza de que é o mais econômico em sua categoria", disse Kuster, do Inmetro.

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