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Inpa faz a "domesticação" do camu-camu

Uma das frutíferas amazônicas, que mais interessa a fabricantes de sorvetes, polpas, alimentos infantis, cosméticos e anti-oxidantes, já pode ser cultivada comercialmente, de acordo com as recomendações agronômicas de uma equipe do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). A "domesticação" do camu-camu (Myrciaria dubia) teve início em 1996, sob coordenação do agrônomo e especialista em melhoramento genético Kaoru Yuyama, com participação de outros 5 pesquisadores e 17 estudantes de graduação e pós-graduação."O camu-camu parece uma jabuticaba, com a qual é aparentado, mas tem um teor de vitamina C muito mais alto, maior inclusive do que o da acerola. E, o que é especialmente interessante para as indústrias alimentícia e cosmética, a polpa não perde toda esta vitamina C quando é processada em altas temperaturas", explica Yuyama. "Nenhuma outra fruta conserva assim tão bem suas vitaminas".O primeiro passo da pesquisa foi coletar espécimes selvagens em toda a bacia amazônica, onde o arbusto - de 2 a 3 metros de altura média - ocorre nas margens de rios, em qualquer tipo de ecossistema, da floresta densa a campinaranas e campos. Os espécimes coletados tinham uma grande variabilidade genética, apresentando um teor de vitamina C entre 900 e 6.100 mg por 100g de polpa de fruta, sendo que a acerola, já melhorada, tem cerca de 1.300 mg. "Mesmo depois de processado a 80 ou 85o C, como na fabricação de sorvete, e após a adição de açúcar e outros ingredientes, o camu-camu ainda apresenta cerca de 450mg de vitamina C por 100g de sorvete", acrescenta o pesquisador. Segundo ele, a seleção das melhores variedades para a "domesticação" não levou em conta apenas o teor de vitaminas, mas também o porte da árvore, a ramificação da copa e a resistência a pragas, doenças e fungos.Em estado selvagem, o camu-camu frutifica na época seca, mais ou menos de novembro a março. Na época chuvosa, chega a ficar parcialmente coberta de água, nos igapós e várzeas. Já a planta melhorada poderá frutificar o ano inteiro, em cultivos intensivos, de terra firme. A equipe do Inpa já tem as recomendações de multiplicação, espaçamento, adubação, cuidados fitossanitários e até consorciamento, isto é, alternativas de culturas que podem ser plantadas nas entrelinhas do camu-camu, enquanto as árvores não entram em produção, o que leva em média 3 anos.O melhoramento genético da planta ainda deve prosseguir por muitos anos, mas as variedades desenvolvidas no Inpa já podem ser cultivadas comercialmente. "O que falta mesmo são produtores, já que a demanda pelo fruto é bem maior do que a oferta", observa Yuyama. Apesar de ser de um grupo de pesquisa, ele recebe pedidos de fabricantes do Sul e Sudeste do Brasil e muitas solicitações do Japão e outros países.O apoio inicial da pesquisa com o camu-camu foi do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e, nos últimos 3 anos, os recursos vieram do Programa Piloto de Programa Piloto de Proteção às Florestas Tropicais do Brasil (PPG7), da ordem de R$100 mil ao ano.

Agencia Estado,

14 de fevereiro de 2003 | 07h00

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