Inquérito culpa seguranças e livra MST de conflito no PR

Nove seguranças privados e o proprietário da NF Segurança, Nerci Freitas, foram responsabilizados no inquérito policial sobre o confronto na fazenda experimental da multinacional Syngenta Seeds, no dia 21 de outubro, no município paranaense de Santa Tereza do Oeste. O conflito resultou nas mortes do líder sem-terra Valmir Mota de Oliveira, o Keno, de 42 anos, e do segurança Fábio Ferreira, de 25. O inquérito não aponta nenhum integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) como culpado. Os quatro volumes do inquérito foram entregues ontem para a 2ª Promotoria Criminal da Comarca de Cascavel. No documento, o delegado Renato Bastos Figueiroa responsabilizou os noves seguranças e o proprietário da empresa por homicídio, tentativa de homicídio e formação de quadrilha. Ele não culpou nenhum sem-terra pela morte do segurança. Apenas o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Celso Ribeiro Barbosa, foi responsabilizado por esbulho possessório - invasão com violência ou ameaça de bens alheios.O crime prevê detenção de um a seis meses e multa. O advogado dos agentes de seguranças e da empresa, Hélio Ideriha Júnior, não concorda com o resultado das investigações. "Trata-se de um inquérito vergonhoso e parcial. Desde o início denunciamos que a polícia só ouvia um lado", reclamou. Durante o trabalho policial os acusados se negaram a prestar esclarecimentos, preferindo se manifestar na Justiça.

MIGUEL PORTELA, Agencia Estado

20 de novembro de 2007 | 18h28

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