Inquérito vai apurar motivo de explosão em mina de SC

Fagulhas não causaram explosão, como havia sido informado antes, já que produtos inflamáveis estavam intactos

Júlio Castro, especial para O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2008 | 19h42

Um inquérito policial será aberto para apurar a verdadeira causa da explosão que resultou na morte de dois mineiros na mina Novo Horizonte, de propriedade de Mineradora Catarinense, ocorrida na madrugada de segunda-feira, 5, em Lauro Muller, sul de Santa Catarina. Ao contrário das informações preliminares, a explosão não foi causada por fagulhas, uma vez que os materiais inflamáveis estavam completamente intactos. Veja também:Encontrados corpos soterrados em mina de Santa CatarinaExplosão em mina deixa 2 desaparecidos e fere 13 em SC  Nesta terça-feira, 6, uma equipe composta por integrantes do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Polícia Militar, Ministério Público Federal, Sindicato dos Mineradores e o Ministério do Trabalho permaneceu por cerca de oito horas no interior da mina afim de colher subsídios para o laudo que apontará a verdadeira causa da explosão. Segundo o chefe do 11º distrito do DNPM, sediado em Florianópolis, Ariel Arno Pizzolatti, a área permanecerá interditada para a visita de uma equipe de peritos. "Cogita-se que a explosão foi decorrente do acúmulo de metano, mas isso é apenas uma suposição preliminar", informou Ariel Pizzolatti. Segundo informações que recebeu de seu engenheiro de minas Dário de Almeida, a maior incógnita será saber de onde veio a ignição que provocou a explosão.  Durante as quase oito horas usadas para percorrer os cerca de seis quilômetros da mina, ficou constatado que todos os explosivos dispostos nas oficinas e depósitos se mantinham intactos, assim como os cilindros de gás utilizados para eventuais soldas e os galões de combustíveis. "Também não percebemos qualquer sinal de combustão ou de um curto circuito", disse Dário Almeida. Informações colhidas pelos técnicos que vistoriaram o local junto aos mineiros dão conta apenas que foi constatado um grande clarão e um enorme deslocamento de ar na hora do acidente. Mesmo assim não houve desmoronamento das galerias sendo que o acesso ao local do acidente foi feito sem qualquer obstáculo. Outra informação que deixou mais intrigado os técnicos foi obtida junto aos mineiros. Os trabalhadores informaram que os mortos no acidente, o operador de máquinas Lorenir Hoffmann e o mecânico Genivaldo da Silva, ambos com 34 anos, apresentavam sinais de queimadura tão logo foram resgatados. O laudo pericial deve sair nos próximos 10 dias.

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