Inquérito vai investigar como bebê foi quase enterrado vivo

Recém-nascido dado como morto ficou 4 horas numa sala ao lado do necrotério e foi achado por enfermeira

Josmar Jozino, do Jornal da Tarde,

05 Janeiro 2009 | 09h09

Uma recém-nascida foi dada como morta por médicos no Hospital Leonor Mendes de Barros, no Tatuapé, zona leste da capital, no dia 2, logo após o parto, e ficou quatro horas numa sala ao lado do necrotério aguardando a chegada de um carro para o transporte até o Instituto Médico Legal (IML). O bebê só não foi levado ao IML e depois liberado para ser enterrado pelos pais graças à atenção de uma enfermeira. Ela viu o nenê se mexendo. A mãe do bebê, Renata Alves de Oliveira, e o pai, o motorista Alexandre Vieira Góes, ambos de 32 anos, moradores em Cangaíba, zona leste, já tinham até comunicado o óbito no 81º DP (Belenzinho). O boletim de ocorrência foi registrado no dia 2 com a natureza de morte natural. Após a descoberta da enfermeira, outro boletim de ocorrência teve de ser registrado no 81º DP. Segundo a Polícia Civil, o bebê passa bem.  Funcionários do Hospital Leonor Mendes de Barros disseram que a recém-nascida estava, na tarde do domingo, no Centro Obstétrico. Afirmaram ainda que a equipe médica que assinou o óbito não se encontrava de plantão e que só iria trabalhar na próxima sexta-feira. A reportagem do JT não conseguiu contato com a direção do hospital ou com a enfermeira. De acordo com o delegado-titular do 81º Distrito Policial, André Pimentel, a mãe do bebê se internou no hospital Leonor Mendes de Barros em 28 de dezembro. "A gravidez era de risco", disse o policial. Ainda segundo o delegado, às 18h25 do dia 2 médicos do hospital atestaram o óbito e liberaram os papéis para os pais da criança. O bebê ficou embrulhado numa sala ao lado do necrotério. Porém, às 22h32, ou seja, quatro horas depois, a enfermeira viu a recém-nascida se mexer. "O carro de cadáver já estava estacionado no hospital", observou Pimentel. O policial contou também que o bebê foi levado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI). "Felizmente, o quadro evoluiu e a criança está viva", completou o delegado. Pimentel acrescentou que instaurou o inquérito policial para apurar se houve negligência médica.  No domingo, os pais foram ouvidos na delegacia. Os médicos que atestaram o óbito e que fizeram o parto vão ser chamados para depor no 81º DP. Pimentel também pretende ouvir os responsáveis pelo hospital. O policial informou que vai comunicar o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) sobre o caso.

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