Inseticidas diminuem população de abelhas

Dois estudos mostram que pesticidas amplamente usados nas lavouras estão prejudicando a sobrevivência desses insetos

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

31 Março 2012 | 03h03

Inseticidas estão interferindo no nascimento de abelhas-rainhas e no senso de direção das operárias, diminuindo as populações desse inseto. A afirmação é feita por cientistas, que em dois estudos ligam um tipo de pesticida usado nas lavouras a uma crescente ameaça às colmeias, chamada desordem de colapso da colônia (CCD, em inglês).

Desde 2006, apicultores americanos têm reportado perdas de pelo menos 33% nas colônias de abelhas durante o inverno. Um terço dessas perdas estaria diretamente relacionado à CCD, que consiste no misterioso desaparecimento das abelhas operárias.

Entre os motivos aventados estão a falta de acesso a uma alimentação adequada, doenças e contaminação da colmeia por ácaros. A novidade é que os estudos mencionam os pesticidas, incluindo os neonicotinoides - inseticidas entre os mais usados na agricultura, por serem mais seguros para humanos.

"Esses inseticidas são um importante mecanismo nesse problema", disse o entomologista Dave Goulson da Universidade de Stirling (Grã-Bretanha), que liderou uma das duas pesquisas publicadas pela revista Science. "Estamos vendo um efeito sutil de doses não letais desses químicos usados na agricultura."

Durante a pesquisa, Goulson e seus colegas aplicaram doses de inseticidas em algumas colmeias, deixando outras descontaminadas para compará-las. Após seis semanas, observaram que as colmeias envenenadas eram de 8% a 12% menores e só produziam 2 abelhas-rainhas, enquanto as colmeias saudáveis chegavam em média a 14.

As abelhas-rainhas que sobrevivem ao inverno são aquelas que precisam começar uma nova colmeia no ano seguinte. Portanto, a diminuição de seus números afeta diretamente a sobrevivência da comunidade.

"Essa descoberta é importante, porque efeitos sobre a reprodução são um elemento-chave na decisão de aprovar ou não um inseticida", afirmou o entomologista Jeffery Pettis, do Departamento de Agricultura dos EUA.

O outro estudo, realizado na França, mostrou que abelhas operárias contaminadas com neonicotinoides que deixavam a colmeia morriam com frequência duas ou três vezes maior, sem retornar. / AP e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.