Wilton Junior/AE
Wilton Junior/AE

Insight no camarim e bife com selo de origem

FAZENDO A MINHA PARTE

Karina Ninni, Especial Para o Estado, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2010 | 00h00

Apresentador, pelo segundo ano, do Globo Ecologia, na Rede Globo, o ator Max Fercondini, de 25 anos, acredita que quem aparece na telinha tem a obrigação de fazer o público refletir sobre temas importantes, como cuidados com o planeta e consumo responsável.

"Acredito que ao mudar os hábitos de consumo já conseguiremos dar um grande passo", diz Max, que teve um insight sobre o assunto num local improvável, um camarim de novela. "A primeira vez em que pensei nisso foi em 2007, enquanto me preparava para gravar Ciranda de Pedra." Na época, Max tinha de se barbear diariamente para viver o personagem Conrado. "Os aparelhos ficavam no camarim, disponíveis, e eu abria dois, três por semana. Até que um dia caiu a ficha de que o aparelho aberto dois dias atrás ainda poderia ser usado. Pensei: "Será que vou descartar só porque é descartável?""

Até por conta disso, o ator conta que uma das experiências mais interessantes que teve no programa foi conhecer uma Central de Tratamento de Resíduos. "Num aterro a gente tem a exata noção do impacto dos nossos hábitos de consumo."

Uma das medidas adotadas por Max para ser ambientalmente correto foi trocar sacolas plásticas por ecobags no supermercado. "Procuro consumir produtos de maior durabilidade e passei a prestar atenção na forma como uso a água. Meus banhos são de 5 minutos", diz. "A cultura do excesso de água no Brasil atrapalha a relação que as pessoas têm com esse recurso."

O galã, que diz que confia na tecnologia para aumentar a produção de alimentos sem criar mais impactos para a floresta, não consome transgênicos e dá preferência a orgânicos. "Uso produtos mais caros e de melhor qualidade. Mas acho que faltam opções para os consumidores mais conscientes." Segundo ele, até os colegas de TV reclamam dessa falta de opção.

Max também gostaria de ter mais acesso a produtos com selo de certificação. "Sei que é um custo a mais que a empresa vai me repassar, mas estou disposto a pagar, contanto que saiba como foram feitos", diz. "Compro carne em um supermercado que tem uma política de cuidado. É mais cara, com selo indicando a origem. Se algum dia desconfiar que a empresa não entrega o que promete, certamente vou procurar os órgãos de defesa do consumidor."

Outra medida que Max tomou em relação à alimentação foi abolir frituras. "O descarte do óleo é um problema", justifica, mostrando que está bem informado. "Quando recebi o convite para apresentar o programa fiz uma pesquisa para falar com propriedade sobre os temas. Acompanho a escolha das pautas, dou pitaco. Gosto mesmo."

O ESPECIALISTA

Na gôndola, só 1% da carne é certificada

"O ator está correto em usar seu poder de escolha para privilegiar os supermercados comprometidos com a oferta de produtos menos impactantes. Mas, mesmo naqueles em que se vende carne com atestado de origem, esse produto representa pouquíssimo em relação à toda carne comercializada pela rede de lojas. Além disso, as empresas confinam os produtos ambientalmente corretos a nichos de mercado, reproduzindo uma lógica excludente: eles só são acessíveis às classes A e B", diz Lisa Gunn, coordenadora executiva do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.