Instituto de ortopedia do Rio reduz atendimento em nova sede

Expectativa de triplicar número de cirurgias ainda não foi alcançada; 'processo é complexo', diz coordenadora

CLARISSA THOMÉ / RIO, O Estado de S.Paulo

10 Março 2012 | 03h06

Com mais de dois anos de atraso, o novo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) foi inaugurado em novembro com a promessa de triplicar as cirurgias ortopédicas de 6 mil para 19 mil ao ano e reduzir a espera de 36 para 12 meses. Cinco meses após a mudança de sede, porém, o hospital fez 550 operações mensais - ou um terço do previsto. Também foram realizadas 14,5 mil consultas ambulatoriais por mês, pouco mais da metade das 25 mil programadas. A reforma custou R$ 195 milhões.

Segundo a coordenadora da transição, Germana Bahr, a desaceleração já era prevista e o Into só deverá atingir a capacidade total de atendimento entre nove meses e um ano após a mudança. Hoje, 20 mil pessoas estão na fila por uma cirurgia ortopédica.

Para aumentar o número de consultas e cirurgias, o instituto também espera a chegada de novos médicos. Hoje, o déficit está em 300 profissionais. Na inauguração, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que cem seriam enviados para o Into. A expectativa é de que eles comecem a chegar neste mês, mas ainda terão de ser treinados.

"A mudança foi complexa. O Into foi para uma unidade cinco vezes maior e com a expectativa de triplicar o atendimento. Isso não acontece de repente", diz. "Qualquer organização que mude enfrenta um processo de adaptação, nenhuma abre as portas e já vai produzir tudo o que estava previsto. Isso não acontece. A produção cresce em fases."

Mudanças. Germana diz ainda que processos internos do Into também foram modificados. Antes o paciente chegava ao hospital, fazia exames e era inscrito na fila de espera. Ao voltar para operar, dois anos depois, é que os profissionais descobriam que aquele paciente tinha diabete descompensada, era obeso ou não tinha acompanhante após a cirurgia.

Na nova sede, cada paciente é atendido por equipe multidisciplinar dos setores de ortopedia, enfermagem, serviço social e reabilitação. A intenção é acompanhar o paciente durante a espera e diminuir o número de cirurgias canceladas em cima da hora.

Os funcionários têm de adaptar a essas novas regras. "Quando você muda para um lugar novo, os processos podem dar errado. Há uma resistência até dos funcionários. Tudo isso é esperado, é descrito e acontece sempre."

A lista de espera também está sendo revista. Como em alguns casos a cirurgia demora três anos - como coluna e joelho -, há pacientes que acabam sendo operados em outros serviços. "A ideia é enxugar a fila e evitar que eles fiquem tanto tempo sem serem acompanhados pelo Into."

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