Instituto Fernand Braudel analisa perspectivas para a educação

Um dos sete Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU é garantir que, até 2015, todas as crianças, de ambos os sexos, terminem um ciclo completo de ensino básico

Norman Gall, diretor-executivo , Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial

17 Julho 2007 | 15h09

O fracasso das escolas públicas desafia a consciência política e as instituições de muitas sociedades.  Por que as crianças não conseguem aprender a ler?  Por que muitas não conseguem fazer exercícios simples de aritmética?  Qual a relação entre ignorância e desordem social?  Como operar uma sociedade complexa sem uma população instruída?  Como serão nossas sociedades daqui a 10 ou 20 anos se nossas crianças não conseguirem aprender? O fracasso das escolas é um fenômeno internacional.  O Brasil não está sozinho diante dessas questões.  Muitos países - Estados Unidos, Grã-Bretanha, Alemanha, Grécia, Rússia, Japão, China, Índia, Chile, Peru, Colômbia e México, para citar alguns - discutem falhas graves na educação pública.  Nos Estados Unidos, essas deficiências levaram a disputas políticas pelo controle das escolas nas grandes cidades, entre elas Nova York, Chicago, Los Angeles, Denver e St.  Louis.  As escolas da Califórnia, por exemplo, já estiveram entre as melhores dos EUA, mas em 2005 seus estudantes de 14 anos ficaram em 49º lugar em leitura entre os 50 Estados.  Nas últimas três décadas, as escolas americanas foram debilitadas por cortes de impostos, poderosos sindicatos de professores e burocracia, enquanto interesses entrincheirados resistiam a mudanças e apresentavam desculpas para a mediocridade.  Profissionais jovens e talentosos deixavam o magistério atraídos por oportunidades de empregos mais fáceis e com salários melhores numa economia em expansão.  Num estudo das escolas "falidas" da Califórnia realizado ao longo de 18 meses, uma comissão da Universidade Stanford advertiu: "Os problemas estruturais são tão profundos que o aumento de verbas e intervenções pequenas e graduais provavelmente não farão nenhuma diferença, a menos que sejam acompanhados pelo compromisso com uma reforma geral." A maioria dos brasileiros concorda que as escolas públicas não estão ensinando.  A cada ano, a mídia noticia o mau desempenho dos estudantes em exames nacionais e internacionais.  O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) constatou que metade dos alunos da quarta série era incapaz de ler um texto simples.  Os resultados dos alunos do ensino médio pioraram quando comparados com anos anteriores.  Apenas 53% das crianças brasileiras conseguem concluir a educação primária.  O Brasil fica persistentemente em último ou penúltimo lugar em exames internacionais como o Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa) da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), entre os alunos de 15 anos em 41 países ricos e pobres. Uma nova janela de oportunidade para a reforma escolar abriu-se quando o governo federal anunciou um Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) que inclui: (1) exames de alfabetização para crianças de 6 a 8 anos; (2) salário mínimo mensal nacional de R$ 850 para os professores; (3) treinamento contínuo de professores; (4) instalação de computadores em todas as escolas; (5) melhor transporte escolar; (6) a expansão do Bolsa-Família para incluir alunos até 17 anos; (7) expansão do ProUni para oferecer bolsas integrais e empréstimos a estudantes em universidades privadas; (8) a criação de um Índice de Desenvolvimento da Educação Básica e um plano de metas para as redes municipais e estaduais de ensino; (9) apoio técnico e financeiro para aproximadamente mil municípios com os mais baixos índices de qualidade. É a primeira vez que o financiamento federal é ligado a indicadores de desempenho.  No entanto, tem havido pouco debate sobre como melhorar o desempenho. O que fazer?  No Brasil, o debate sério para superar o fracasso das escolas mal começou.  Esta série de artigos tentará estimular a discussão de como enfrentar as dificuldades.  Uma equipe do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial passou cinco semanas em Nova York para estudar a dinâmica da corajosa e inovadora reforma escolar liderada pelo prefeito Michael Bloomberg. O primeiro artigo  explora as perspectivas para a reforma escolar em Nova York e São Paulo à luz das condições políticas, institucionais, demográficas e econômicas.  O segundo artigo se concentra no ensino e no aprendizado.  O terceiro trata de maneiras de superar a desordem e a violência nas escolas, que impedem o ensino e o aprendizado.  O quarto propõe políticas para melhorar a qualidade da educação pública primária e secundária.  Os alcances das necessidades para melhorar o desempenho das escolas são detalhados pelo Instituto Fernand Braudel em seu programa de pesquisa e debate público Reforma do Ensino em São Paulo e no Brasil, disponível no site. Os artigos:   A luta por melhores escolas em São Paulo e Nova York O grande esforço de ensinar e aprender Ordem e desordem nas escolas O que deve ser feito?

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