Integração entre universidade e empresa ainda é limitada

Agência também quer investir na diminuição do estresse burocrático dos cientistas para aumentar dedicação à pesquisa

O Estado de S.Paulo

11 Março 2012 | 03h06

No caminho para ser a primeira fundação de amparo à pesquisa do País, o guia condutor da Fapesp foi a estabilidade nos recursos investidos pelo Estado. Desde 1989, com a nova Constituição Paulista, a agência recebe o equivalente a 1% da receita de São Paulo.

O dinheiro investido na fundação nos últimos dez anos é duas vezes maior que o montante dos 40 anos anteriores. E, desde 2003, apresenta clara tendência de crescimento.

Em 2010, a agência investiu R$ 780 milhões em pesquisa. A receita da Fapesp no ano passado vai superar o montante de R$ 912 milhões.

No País inteiro, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) - principal agência federal de fomento à pesquisa - investiu, em 2010, R$ 1,6 bilhão. Desse montante, R$ 427 milhões vieram para bolsas e projetos no Estado de São Paulo.

"A Fapesp começou como instituição pequena, com número limitado de avaliações e de projetos. Hoje, processa 20 mil solicitações por ano, o que é muito", explica o presidente da agência, Celso Lafer. "A autonomia e orçamento fizeram com que a Fapesp tivesse condições de pensar com prazos mais longos, ficando a salvo das intermitências e pressões da política e sem problemas de fluxo de caixa."

No entanto, pesquisadores e a própria a Fapesp admitem que a agência precisa superar entraves. "O processo administrativo burocrático é muito pesado e, por isso, lento para a competição internacional", opina Mario Neto Borges, presidente do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap).

Burocracia. O diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, afirma que a agência está trabalhando agora para solucionar a questão do apoio dado pelas instituições aos pesquisadores, algo que diminuiria o estresse burocrático a que são submetidos. De acordo com ele, esse suporte hoje é insuficiente.

"Precisamos proteger o tempo do pesquisador contra coisas como burocracia e gestão, que atrapalham a ciência", diz. "Não é o pesquisador quem deve fazer as compras da pesquisa, a prestação de contas e contato com gente do exterior. Se queremos uma ciência competitiva no Brasil, é preciso que as universidades e institutos de pesquisas ofereçam apoio semelhante ao de outras instituições estrangeiras, como Stanford, Oxford e MIT."

Para Borges, falta também inovação: "A Fapesp precisa atuar fortemente na relação entre universidade e empresa, com transferência de recursos públicos para a iniciativa privada, gerando riquezas que tenham sentido para a sociedade."

Brito diz que a agência tem tentado estreitar os vínculos com a iniciativa privada. "Mas têm sido frustrantes nossos resultados na criação de um sistema empresarial de pesquisa." / M.M. e A.G.

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