Interditado lote de mortadela suspeito de contaminação

Texto atualizado às 18h48.

GHEISA LESSA, Agência Estado

23 de agosto de 2012 | 12h46

SÃO PAULO - A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo interditou, nesta quinta-feira, um lote de mortadela suspeito de ter contaminado uma família no interior de São Paulo, diagnosticada com botulismo. A determinação cautelar foi publicada no Diário Oficial. Junto com o alimento, da marca Estrela, foi interditado também um lote de milho verde em conserva, da marca Quero.

As interdições impedem a venda dos produtos em todo o Estado de São Paulo e foram deferidas pelo Centro de Vigilância Sanitária do governo do Estado. A proibição da comercialização dos lotes segue, ao menos, até a conclusão das análises das amostras dos produtos recolhidas e encaminhadas ao Instituto Adolfo Lutz, na capital paulista.

As investigações começaram após quatro pessoas de uma mesma família, moradoras de Santa Fé do Sul, a 620 quilômetros de São Paulo, terem sido diagnosticadas com botulismo. A doença é causada pela bactéria Clostridium botulinum, presente em alimentos mal conservados, principalmente nos enlatados, em conserva e embutidos. O último registro da doença em São Paulo foi em 2009, de acordo com a Secretaria da Saúde. Desde o ano de 1997, quando a doença passou a ser de notificação compulsória, o Estado de São Paulo registrou 22 casos, dos quais cinco mortes.

Em nota, a companhia Estrela disse que não houve saída de produto contaminado da empresa. "Nossa mortadela é um produto de impossível contaminação pelo botulismo, pois é submetida à processo térmico, que garante a segurança contra a presença dessa bactéria que é destruída no cozimento à temperatura de 65 a 80 graus por 30 minutos, além de conter em sua composição sódio, nitrato e nitrito que são inibidores do botulismo. Possuímos rigorosos controles de qualidade em todo processo de produção e todas as certificações exigidas pelo mercado."

A empresa informou que ainda assim localizou o cliente que vendeu o produto à família e com a verificação de que a venda havia sido feita 12 dias antes do consumo do produto. "Por iniciativa própria, foi feita a retenção dos lotes em estoque e o recall dos produtos, sendo que apenas quatro dias após serem adotadas as providências fomos notificados através da imprensa, da suspensão cautelar da venda do lote do produto, o que já havia sido feito voluntariamente." A Estrela aguarda a confirmação da análise da mortadela.

Contaminação. No último dia 19, a intoxicação de uma família inteira exigiu uma megaoperação da Polícia Militar. As quatro pessoas apresentaram sintomas de vômito, diarreia, dificuldade de locomoção e visão embaçada. Como o quadro piorou rapidamente, os médicos da região puderam identificar a doença. O botulismo só pode ser tratado com um soro específico que é disponibilizado em poucos locais. O mais próximo, neste caso, estava na capital paulista. Foi então que entrou em ação a Polícia Militar, que usou um helicóptero para transportar o soro até o hospital onde a família estava internada.

A família já está fora de perigo. Pai e mãe já haviam deixado a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e, na quarta-feira, os dois filhos do casal também foram transferidos para um quarto da Santa Casa local.

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