Interesse de brasileiros pelos EUA cresce em 2011

Candidaturas aumentam 14% e colocam o Brasil atrás apenas da China e do México em ranking

Gustavo Chacra, Correspondente em Nova York, O Estado de S. Paulo

09 Abril 2012 | 03h05

As candidaturas de estudantes brasileiros que pretendem fazer pós-graduação em universidades dos Estados Unidos dispararam em 2011, de acordo com levantamento do Council of Graduate School publicado na semana passada. Com um crescimento de 14% nas inscrições, o Brasil está atrás apenas da China (18%) e do México (17%) no ranking da entidade.

Na média, houve um aumento de 9% no total de estudantes se candidatando para fazer mestrado ou doutorado nos Estados Unidos. Este é o sétimo ano seguido de elevação global, depois de uma queda acentuada nos anos de 2003 a 2005. "O Brasil e o México se transformaram em alguns dos principais países no envio de estudantes para as universidades americanas", segundo Nathan Bell, responsável pela pesquisa. "Por isso, decidimos acompanhá-los de perto."

O Council of Graduate Schools não sabe dizer se a elevação nas candidaturas de brasileiros se deveu à valorização do real em relação ao dólar ou ao crescimento econômico do País.

De olho nesse mercado, algumas universidades americanas, como a Columbia, de Nova York, abriram escritórios no Brasil e tentarão cada vez mais atrair estudantes. Em cursos como Relações Internacionais e MBAs, a presença de brasileiros na classe é considerada fundamental devido ao fortalecimento do País no cenário internacional.

Quando aceitos, os estudantes de doutorado costumam receber bolsas das próprias universidades, no caso de instituições como Yale e Princeton. O custo da anuidade ultrapassa os US$ 40 mil em MBAs como o de Chicago ou Stanford.

Exatas. Segundo o levantamento, a maior parte dos estudantes estrangeiros ainda prefere as ciências exatas, biológicas e os MBAs quando se candidatam para estudar nos EUA. Apenas um quarto deles tem interesse nas ciências humanas, diz o estudo do Council of Graduate Schools.

Atualmente, há 8.777 brasileiros estudando nos Estados Unidos, tanto na graduação como na pós-graduação, segundo informações do relatório do Instituto Internacional de Educação.

Graduação. Há dez anos, o Brasil tinha mais estudantes em instituições de ensino americanas do que hoje. Caso, porém, a maior parte dos que se candidataram no ano passado seja aceita, o País quebrará um recorde.

Os brasileiros estão na 14.ª colocação no envio de estudantes ao país. O total é 15 vezes menor do que o da China. Mesmo a Índia tem 12 vezes mais estudantes nas universidades americanas do que o Brasil.

A maior parte dos estudantes brasileiros faz graduação nos Estados Unidos (46%). "Parecia impossível passar, mas esse é o meu sonho", afirma Tábata Amaral de Pontes, de 18 anos, aluna que estudou parte da vida na rede pública de ensino e passou em seis instituições americanas: Harvard, Caltech, Columbia, Princeton, Yale e Pennsylvania.

Ela não esconde a preferência por Harvard, mas afirma que ainda deverá conhecer as outras universidades para escolher onde passará seus próximos anos de estudo.

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