Internet é a nova inimiga das campanhas eleitorais dos EUA

Um vídeo no qual Hillary Clinton desafina ao cantar o hino nacional, e que circulou no mundo inteiro graças à internet, mostra o poder dos novos meios, não apenas para atrair eleitores, mas também para perdê-los. O incidente do vídeo é, ou deveria ser, excessivo; o fato de a senadora de Nova York e aspirante a candidata à Presidência dos Estados Unidos não ter bom ouvido não tem qualquer relação com sua capacidade de liderança. No entanto, seus inimigos políticos, com o popular site conservador Drudge Report à frente, aproveitaram a vergonha que a ex-primeira-dama protagonizou recentemente, no Iowa. A rede de televisão MSNBC usou um microfone para captar a voz da candidata, no lançamento da sua campanha eleitoral, e mostrar que esta não leva muito jeito para a cantoria. O vídeo já foi visto mais de um milhão de vezes graças ao YouTube, que ultimamente se transformou em um interessante arquivo, para onde vão todos os tipos de registros. Trata-se, no entanto, da mesma ferramenta que os "presidenciáveis" usaram com ardor no lançamento desta campanha eleitoral. A senadora Clinton escolheu a rede para divulgar um vídeo no qual comunicava a seus seguidores seus planos presidenciais, e dois dias depois iniciou uma série de chats pela internet com os eleitores, para debater os assuntos que mais os preocupam. Barack Obama, que é uma super estrela do mundo da internet, fez a mesma coisa quatro dias antes, quando havia anunciado o lançamento da sua candidatura democrata em um vídeo emitido na rede. John Edwards se mostra tão cômodo com as novas tecnologias que a revista Business Week o chamou, em artigo recente, de "candidato eletrônico". Mas até este "candidato eletrônico" enfrentou percalços tecnológicos, na forma de um vídeo, igualmente disponível no YouTube, no qual Edwards "briga" com seus cabelos durante alguns minutos. O clipe ajuda a compreender o apelido que seus inimigos lhe puseram na campanha eleitoral de 2004: "Breck Girl" ("Menina Breck"), em referência à marca de xampus Breck, que tem como garotas-propaganda modelos como Kim Basinger e Brooke Shields, entre outras. Os vídeos embaraçosos não afetam apenas os candidatos do Partido Democrata. O republicano Mitt Rommey, ex-governador de Massachusetts, está tentando recuperar sua imagem de conservador, que sofreu danos por causa de vídeos de 1994 - e, claro, disponibilizados no YouTube - nos quais aparece defendendo o aborto e os direitos dos homossexuais. "Em campanhas anteriores, esperávamos que a ameaça simplesmente evaporasse, mas agora é imperativo responder de maneira rápida, pessoal e com tecnologia avançada", disse Kevin Madden, conselheiro de Rommey, em declarações ao The New York Times. O próprio Howard Dean, o democrata precursor de toda esta loucura tecnológica, já que conseguiu arrecadar mais de US$ 53 milhões por meio da internet, também enfrentou problemas com a tecnologia que tanto o ajudou. Lembre-se do "Grito Howard", o grito com o qual animou seus partidários após a derrota nas primárias do Iowa, repetido exaustivamente pelas televisões e internet, onde tem até seu próprio verbete no Wikipedia. A questão é até que ponto estas pequenas polêmicas distrairão os eleitores dos assuntos de realmente relevantes. "A candidatura da senadora Clinton não se baseia em sua capacidade para acompanhar uma melodia", disse Howard Wolfson, um de seus conselheiros. Isso é evidente, mas também o são as dificuldades para controlar as imagens que os candidatos apresentam para os eleitores, em uma era na qual tudo é suscetível não apenas de registro, mas de acabar nas mãos dos milhões de seres humanos que integram o universo da internet.

Agencia Estado,

05 Fevereiro 2007 | 12h42

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