Internet provoca tsunami nas universidades americanas

Anúncio de Harvard e MIT de investir US$ 60 milhões em educação online mostra que há um novo processo de aprendizagem em curso

David Brooks - The New York Times, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2012 | 03h02

Educação online não é novidade. Mas, ao longo dos últimos meses, algo mudou. A elite que dita o ritmo das universidades abraçou a internet. Na semana passada, Harvard e o Massachusetts Institute of Technology (MIT) anunciaram o investimento de US$ 60 milhões para oferecer cursos online. Muitas outras universidades de elite, incluindo Yale e Carnegie Mellon, estão trabalhando agressivamente na internet.

John Hennessy, presidente de Stanford, resumiu a visão emergente em um artigo escrito por Ken Auletta, no New York Times: "Há um tsunami se aproximando". O que aconteceu com o mercado de jornais e revistas está prestes a acontecer com a educação superior: uma reordenação via web.

Muitos de nós veem a mudança com inquietação. Será que a aprendizagem online diminuirá o contato direto entre pessoas, relação que define a experiência universitária? A navegação online substituirá a leitura aprofundada? O padrão acadêmico será tão rigoroso quanto o de hoje? O que acontecerá com estudantes que não têm motivação intrínseca suficiente para se manter grudados ao laptop depois de uma hora?

As dúvidas são justificáveis, mas há mais razões para se sentir otimista. Em primeiro lugar, a aprendizagem online dará a milhões de estudantes o acesso aos melhores professores do mundo. Pesquisas sobre aprendizagem online sugerem que ela, de modo geral, é tão eficaz quanto a da sala de aula.

O fato mais importante e paradoxal que delineia o futuro da aprendizagem online é este: um cérebro não é um computador. Nós não temos espaços em branco em discos rígidos à espera de dados para serem preenchidos. Se você pensa em como o aprendizado de fato ocorre, vai identificar muitos processos distintos. Há informação sendo absorvida. Há reflexão sobre a informação à medida que você relê e pensa sobre ela. Há reorganização da informação à medida que você a testa em discussões ou tenta relacioná-la com informações contraditórias. Por fim, há síntese, à medida que você tenta organizar o que aprendeu em um argumento ou em um artigo.

Educação online transforma a transmissão de conhecimento em uma mercadoria barata e globalmente disponível. Mas também força as faculdades a concentrarem-se nos demais processos de aprendizagem, onde está o real valor.

Minha aposta é de que será mais fácil ser uma universidade péssima na internet, mas também será possível que as escolas e alunos mais comprometidos sejam melhores do que nunca.

 * DAVID BROOKS É COLUNISTA DO THE NEW YORK TIMES

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