Invasores do Instituto Lula temem um novo Pinheirinho

O grupo de sem-terra que invadiu, na manhã desta quarta-feira, o prédio do Instituto Lula, na zona sul de São Paulo, disse temer que a reintegração de posse do assentamento onde vivem, na região de Americana, no interior paulista, se torne "um novo Pinheirinho". "As pessoas vão ficar lá e resistir até a morte", afirmou o advogado do grupo, Vandré Paladine Ferreira.

DAIENE CARDOSO, Agência Estado

23 de janeiro de 2013 | 11h29

Nesta manhã, por volta das 6h30, um grupo de cerca de 100 moradores do assentamento Milton Santos, entre Americana e Cosmópolis, invadiu o instituto e rendeu o caseiro Valdeni Almeida Timóteo, anunciando a ocupação. Os funcionários do Instituto Lula foram impedidos de entrar no prédio e, por volta das 10h45, ainda aguardavam do lado de fora do imóvel. "O engraçado era que, há 50 anos, éramos nós que fazíamos essa ocupação. A gente entende", disse um funcionário que não quis se identificar. No mesmo horário, havia no local apenas um carro da Polícia Militar (PM) e um da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não veio para o escritório, mas já foi comunicado da invasão.

O prédio está cercado por invasores e faixas pedindo para que Lula negocie com a presidente Dilma Rousseff um decreto de desapropriação da área onde os sem-terra vivem há sete anos. De acordo com o advogado do grupo, o terreno está em disputa judicial entre o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a família proprietária da área, mas uma decisão da Justiça, em junho de 2012, ordenou a desocupação do local a partir do fim deste mês. "O governo tem desapropriado (áreas) para a Copa, para a Olimpíada e está fazendo jogo duro para desapropriar um terreno de 104 hectares", reclamou o advogado. Vandré Ferreira ressaltou que o grupo pretende permanecer no prédio do Instituto Lula até que o governo assine o decreto de desapropriação da área onde se localiza o assentamento por interesse social.

A decisão de invadir o Instituto Lula se deveu, segundo os sem-terra, ao poder de influência do ex-presidente junto à sua sucessora. "A gente sabe da influência que ele tem neste governo. Se ele viesse aqui falar com a gente, seria muito bom", disse o advogado. De acordo com Vandré Ferreira, além da invasão, três sem-terra estão acorrentados, em greve de fome, na porta do escritório da Presidência da República, na Avenida Paulista, também reivindicando a desapropriação do terreno.

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