'Inventor' da vuvuzela diz que Brasil vai ser vice

Saddam Maake diz ter criado instrumento na infância e batizado em 1992.

Maria Luisa Cavalcanti, BBC

08 de junho de 2010 | 07h30

O homem que alega ser o criador da vuvuzela - a tradicional "corneta" usada pelos torcedores sul-africanos nas partidas de futebol - diz que o Brasil é o seu segundo favorito, logo atrás da África do Sul.

Saddam Maake, de 55 anos e morador de Tembisa, cidade de classe média-baixa a cerca de 40 km a nordeste de Johanesburgo, diz que lamentou a ausência de Ronaldinho Gaúcho na seleção brasileira.

"Eu fiquei decepcionado por vocês terem deixado o Ronaldinho para trás", disse ele à BBC Brasil. "Ele tinha que ter vindo para esta Copa, mesmo que fosse como parte da delegação, para dar apoio ao time e para honrar tudo o que ele fez pelo Brasil."

Para Saddam, a "final dos sonhos" no estádio Soccer City, no dia 11 de julho, seria entre o Brasil e África do Sul.

"Mas claro que o vencedor tem que ser os donos da casa", afirma.

História

Nascido em Limpopo, província rural no nordeste da África do Sul, Saddam diz ter inventado a vuvuzela quando ainda era criança, a partir de uma simples buzina.

"Eu ia ver meus amigos jogarem bola, tirava a parte de borracha da buzina e ficava fazendo barulho assoprando com a boca", conta.

O nome vuvuzela, no entanto, só veio muitos anos depois, em 1992, quando um amigo já havia se encarregado de "fabricar" uma mais comprida e de plástico.

Ele contou que o nome veio por acaso, sem uma razão especial que o inspirasse.

"Fomos para o Zaire ver o Bafana Bafana jogar e eu era o único no estádio com a vuvuzela."

Segundo Saddam, na volta desta viagem, veio a ideia de fazer o instrumento com as cores da seleção sul-africana - amarelo e verde.

Ele diz que a popularização, no entanto, só veio em 1996, quando a África do Sul ganhou em casa a Copa Africana de Nações.

"Em 1999, vi que um empresário da Cidade do Cabo estava fabricando a vuvuzela e dizia que tinha inventado o instrumento", lembra Saddam. "Fui até lá, falei com ele várias vezes, mas nunca chegamos a um acordo."

Dinheiro

Apesar de nunca ter recebido dinheiro pelo que alega ser sua criação, Saddam é bastante conhecido no país, e hoje em dia se tornou um dos personagens folclóricos da África do Sul.

Ele se orgulha de ter sido apresentado a várias personalidades, dentre elas o presidente da Fifa, Sepp Blater, o atual técnico da seleção sul-africana, o brasileiro Carlos Alberto Parreira e o próprio presidente da África do Sul, Jacob Zuma.

Ao recordar esses encontros Saddam exagera a sua importância para o futebol sul-africano.

"O presidente (Jacob) Zuma me disse: 'Saddam, nosso país tem orgulho de você. Se hoje estamos sediando uma Copa do Mundo, é por sua causa'", conta.

"O que as pessoas que me perguntam sobre dinheiro não entendem é que eu sou um escravo do futebol. E o que eu quero é ver as pessoas se divertindo, tocando a vuvuzela por aí. Não quero dinheiro, mas quero que saibam que eu sou o dono, eu sou o pai. O nome vuvuzela surgiu comigo."

Aos torcedores que se animaram a comprar sua vuvuzela para assistir aos jogos da Copa, Saddam pede que respeitem o "código de ética" do uso do instrumento: não se pode tocar durante a execução dos hinos nacionais nem nos minutos de silêncio.

"E, principalmente, nunca se deve tocar uma vuvuzela no ouvido de outra pessoa", ensina.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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