Investidor da Bovespa inicia 2º tri otimista, mas teme China

A Bovespa teve um excelente começo de ano, com seu principal índice subindo 13,67 por cento nos três primeiros meses, o melhor trimestre desde o terceiro quarto de 2010.

ROBERTA VILAS BOAS, REUTERS

30 Março 2012 | 19h28

Para o segundo trimestre, as perspectivas seguem positivas, em meio à chance de um novo corte na taxa de juros pelo Banco Central, mas com o mercado atento à desaceleração da China.

Nesta sexta-feira, o Ibovespa teve queda de 0,56 por cento, a 64.510 pontos, na quarta queda consecutiva. O giro financeiro do pregão foi de 7,8 bilhões de reais.

Para Maurício Nakahodo, economista-sênior da CM Capital Markets, a alta do trimestre lastreou-se na redução na taxa Selic, que passou para 9,75 por cento no início do mês, e no forte fluxo de dinheiro estrangeiro em janeiro.

"Esse comportamento pode continuar, mas não no mesmo ritmo, dado que a queda de juros deve ser interrompida", disse ele, considerando que o Banco Central fará apenas mais um corte de 0,75 ponto percentual na Selic.

Para Luciana Pazos, chefe de gestão de fortunas da Mirae Securities, o movimento deveu-se à recuperação de preços, após a bolsa paulista ter tido um 2010 praticamente estável e um 2011 de forte queda, abrindo espaço para compras.

Para o próximo trimestre, ela também tem uma visão positiva. "O governo está atuando para estimular a economia e o processo da redução de juros beneficia a bolsa. Existe liquidez muito abundante e as taxas de juros estão muito baixas no mundo. Isso é um sinal atrativo para a bolsa."

FATORES DE RISCO

Tanto Nakahodo quanto Luciana, porém, apontaram a desaceleração chinesa como um dos principais fatores de risco para o desempenho das ações. O país asiático reduziu a estimativa de crescimento para este ano, e recentes dados abaixo do esperado prejudicaram o desempenho da Bovespa.

O economista da CM Capital Markets ressaltou que uma desaceleração na economia chinesa teria impacto principalmente nas ações da Vale, de forte peso no Ibovespa.

AÇÕES

Nesta sexta-feira, ações de bancos exerceram a principal influência negativa no Ibovespa, com Itaú Unibanco em baixa de 1,96 por cento, a 34,93 reais, enquanto o Banco do Brasil recuou 1,56 por cento, a 25,95 por cento.

Por outro lado, a preferencial da Petrobras teve leve alta de 0,13 por cento, a 23,35 reais, e Vale subiu 1,12 por cento, a 41,46 reais.

(Edição de Aluísio Alves)

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