Investigado falso médico por morte em Sorocaba (SP)

Um falso médico preso domingo (09), quando fazia atendimento na Santa Casa de Sorocaba, está sendo investigado pela morte de uma paciente. A mulher morreu horas depois de ter sido atendida e medicada por Fernando Henrique Guerreiro, que se fazia passar pelo médico Ariosvaldo Diniz Florentino, da capital paulista.

JOSÉ MARIA TOMAZELA, Agência Estado

11 Dezembro 2012 | 20h37

O próprio Guerreiro assinou o atestado de óbito e liberou o sepultamento. A Polícia Civil pode pedir a exumação do corpo, caso seja necessário para as investigações.

Até ser descoberto, o falso médico trabalhou durante um ano atendendo à média de 50 pacientes por dia. Ele atuou também na Santa Casa de Piedade, próxima de Sorocaba, onde mantinha contatos com Camila Aline da Silva Matias, presa há um mês por exercício ilegal da medicina.

Camila fazia-se passar por Bruna Braga, médica e filha do senador Eduardo Braga, do PMDB de Amazonas. A mulher é investigada por suposto envolvimento em um roubo, há três meses, em São Paulo. A investigação levou os policiais de São Paulo a Piedade, onde a suspeita dava plantão como médica. Ela também havia atuado na Santa Casa de Sorocaba e mencionou sua relação com Guerreiro, que supunha ser Ariosvaldo.

Os policiais levantaram a identificação do médico, que é negro, e ao procurá-lo em Sorocaba, encontraram um homem branco - Guerreiro - usando o mesmo registro no Conselho Regional de Medicina (CRM). Em depoimento, nesta terça-feira, no 63º Distrito Policial de São Paulo, o médico Florentino admitiu conhecer Guerreiro, mas não sabia que ele usava indevidamente seus documentos, inclusive o registro no CRM. Ele acreditava que o colega havia obtido o próprio registro. Admitiu, porém, que Guerreiro o consultava por telefone quando tinha dúvida.

O delegado Renato Batista de Oliveira vai apurar se o verdadeiro médico acobertava as atividades de Guerreiro.

A filha do senador, contatada, informou desconhecer completamente o uso indevido do seu registro pela falsa médica. A direção da Santa Casa de Sorocaba informou que não tinha razão para duvidar da autenticidade dos documentos apresentados por Guerreiro. O hospital de Piedade não se manifestou.

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