Investigador da ONU vai à Síria para iniciar conversas--fontes

Um importante investigador na área de direitos humanos das Nações Unidas vem mantendo conversações em Damasco com altos funcionários sírios para abrir caminho para uma investigação sobre massacres e outras atrocidades no país, informaram fontes diplomáticas e da ONU nesta segunda-feira.

STE, REUTERS

25 de junho de 2012 | 12h48

É a primeira vez que o especialista brasileiro Paulo Pinheiro recebe permissão para entrar na Síria desde que a sua equipe foi criada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, em setembro.

"Ele está tentando preparar o caminho para que sejamos capazes de ir ao país", disse uma fonte da ONU à Reuters em Genebra. "Precisamos ir antes de setembro, quando o nosso relatório final deve ser apresentado."

Em relatórios baseados em centenas de entrevistas com testemunhas, sobreviventes e refugiados na região, a equipe acusou as forças sírias de cometer crimes contra a humanidade, incluindo execuções e tortura. Ela também culpou os rebeldes pela realização de atrocidades.

Pinheiro, um veterano investigador de direitos humanos das Nações Unidas que atua de forma independente, chegou de surpresa a Damasco na noite de sábado depois de garantir um visto da missão diplomática síria em Genebra, segundo fontes diplomáticas.

Ele reuniu-se com o vice-ministro das Relações Exteriores, Faisal Mekdad, e deve retornar a Genebra na terça-feira, um dia antes de apresentar o relatório mais recente da equipe ao fórum de Direitos Humanos, com 47 membros. Não ficou claro que outros compromissos ele teria.

O Conselho, em uma reunião de emergência realizada em 1 de junho, condenou a Síria pelo massacre de pelo menos 108 pessoas na região de Houla e pediu aos investigadores da ONU para identificar os autores e reunir provas para um possível processo criminal.

A Síria acusou "terroristas" de realizar o massacre em Houla, o seu termo para rebeldes anti-governamentais que lideram uma revolta de 16 meses contra o governo do presidente Bashar al-Assad.

A equipe da ONU anunciou em fevereiro que tinha elaborado uma lista confidencial de funcionários sírios e oficiais comandantes suspeitos de assassinato, sequestros e tortura. Também identifica militantes armados ligados a abusos.

Embora o Conselho de Direitos Humanos não tenha poder direto para punir irregularidades, o catálogo detalhado de abusos e a lista secreta poderiam ser a base para processos do Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia.

A Síria parece ter concordado em permitir o acesso de Pinheiro após o relatório de sua equipe no mês passado conter mais alegações de graves violações dos direitos humanos cometidas pelos próprios militantes, segundo fontes da ONU.

"É um sinal positivo de que eles finalmente aceitaram permitir-lo lá dentro. Mas entre hoje e quarta-feira o que ele (Pinheiro) pode conseguir?", disse um diplomata árabe.

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