Investimento direto até junho soma US$29,7 bi--BC

O investimento estrangeiro direto (IED) no primeiro semestre do ano atingiu 59,4 por cento da projeção do Banco Central para 2012, reforçando a possibilidade de que esses desembolsos financiem totalmente o déficit em transações correntes estimado para o ano.

TIAGO PARIZ, Reuters

24 de julho de 2012 | 14h03

De acordo com dados divulgados pelo BC nesta terça-feira, nos primeiros seis meses do ano ingressaram 29,720 bilhões de dólares em investimento direto no país, dos quais apenas 5,822 bilhões em junho. A previsão da autoridade monetária para 2012 é de 50 bilhões de dólares.

O IED financiou com certa folga o déficit em transações correntes no mês e no acumulado do ano. No mês passado, o déficit - que inclui as exportações e importações de bens e serviços - ficou em 4,419 bilhões de dólares e no acumulado até junho soma 25,342 bilhões de dólares.

Essa tendência deve permanecer em julho. Até dia 20, ingressaram no país investimentos estrangeiros diretos no valor de 6,3 bilhões de dólares e a projeção para o fim do mês é de 7 bilhões de dólares. Já o déficit em transações correntes deve somar 4,5 bilhões de dólares em julho, segundo projeção do BC.

O chefe-adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha, reforçou a posição do presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, sobre a possibilidade de o IED financiar integralmente o déficit em conta corrente neste ano.

"Não é de se estranhar que esses dados (de investimento) possam continuar nessa trajetória de financiar integralmente o déficit. A projeção de IED é conservadora e os ingressos estão vindo acima disso", afirmou Rocha. A próxima revisão das projeções do BC ocorre apenas em setembro.

Sem entrar em detalhes para explicar o forte ingresso de investimento neste mês, o técnico do BC afirmou que há uma concentração de operações acima de 1 bilhão de dólares. No mês passado, as movimentações ficaram na maior parte entre 100 milhões de dólares e 1 bilhão de dólares.

O resultado das contas externas mostra que o Brasil, apesar das turbulências internacionais e do grau de incerteza por conta da crise na zona do euro, continua sendo um pólo atrativo de investimento internacional.

Um dado divulgado pelo BC sublinha também que o país tem atraído investidores em busca por papéis de empresas que investem em infraestrutura. Segundo Rocha, a maior parte dos investimentos de não-residentes em títulos de renda fixa em junho, no valor total de 744 milhões de dólares, foi direcionada a projetos de infraestrutura.

LUCROS E DIVIDENDOS

Se a crise internacional não tem desestimulado a busca de estrangeiros por investimentos na produção, as empresas que já atuam no mercado brasileira estão cautelosas em enviar recursos às matrizes.

No mês passado, as remessas líquidas de lucros e dividendos somaram 1,537 bilhão de dólares, abaixo do volume de 4,063 bilhões registrados em junho de 2011. No acumulado do ano, a remessa líquida está em 9,981 bilhões de dólares, ante 18,768 bilhões de dólares no primeiro semestre de 2011.

O chefe-adjunto do Departamento Econômico afirmou que essa redução pode ser atribuída, entre outros fatores, à desvalorização do real verificada desde o início do ano e à queda nos lucros das empresas. A taxa média do câmbio em junho foi um pouco superior a 2 reais por dólar enquanto em fevereiro era de 1,74 real por dólar.

Como o lucro das empresas é apurado na moeda local, algumas companhias estrangeiras preferem manter ou reinvestir os recursos no país para evitar perdas com a operação de câmbio.

O dólar mais caro também influenciou os gastos dos turistas brasileiros no exterior. Em junho, os brasileiros gastaram 1,683 bilhão de dólares em viagens internacionais, abaixo dos 1,866 bilhão de dólares gastos no mesmo período do ano passado. O valor que turistas estrangeiros desembolsaram no país ficou praticamente estável em relação a junho de 2011, em 462 milhões de dólares.

(Reportagem adicional de Luciana Otoni e Alonso Soto)

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